sexta-feira, 28 de maio de 2010

A Alma do Negócio


1996 – 8 min. Dir. José Roberto Torero

Um perfeito casal-propaganda leva uma vida feliz e tranqüila até descobrir que seus maravilhosos produtos podem fazer muito mais do que prometem.

Prêmios

Prêmio do Júri Popular no Festival de Cuiabá 1997

Prêmio do Júri Popular no Festival de Guarnicê 1997

Menção Honrosa no Festival de Palm Springs 1997

Melhor Diretor no Festival de Recife 1997

Melhor Comédia no Festival Drama 1997

Melhor Roteiro no Festival de Curitiba 1997

Prêmio do Júri Popular no Festival de Curitiba 1997

Melhor Ator no Jornada da Bahia 1996

Melhor Atriz no Jornada da Bahia 1996

sábado, 22 de maio de 2010

Ninguém escapa da Educação


Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. Com uma ou com várias: educação ? Educações. E já que pelo menos por isso sempre achamos que temos alguma coisa a dizer sobre a educação que nos invade a vida, por que não começar a pensar sobre ela com o que uns índios uma vez escreveram ?

Há muitos anos nos Estados Unidos, Virgínia e Maryland assinaram um tratado de paz com os índios das Seis Nações. Ora, como as promessas e os símbolos da educação sempre foram muito adequados a momentos solenes como aquele, logo depois os seus governantes mandaram cartas aos índios para que enviassem alguns de seus jovens às escolas dos brancos. Os chefes responderam agradecendo e recusando. A carta acabou conhecida porque alguns anos mais tarde Benjamin Franklin adotou o costume de divulgá-la aqui e ali. Eis o trecho que nos interessa:

"... Nós estamos convencidos, portanto, que os senhores desejam o bem para nós e agradecemos de todo o coração.
Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa idéia de educação não é a mesma que a nossa.... Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltavam para nós, eles eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o inimigo e construir uma cabana, e falavam a nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, totalmente inúteis. Não serviam como guerreiros, como caçadores ou como conselheiros.Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora não possamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão oferecemos aos nobres senhores de Virgínia que nos enviem alguns dos seus jovens, que lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos, deles, homens."

De tudo o que se discute hoje sobre a educação, algumas das questões entre as mais importantes estão escritas nesta carta de índios. Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a sua única prática e o professor profissional não é o seu único praticante.

Em mundos diversos a educação existe diferente: em pequenas sociedades tribais de povos caçadores, agricultores ou pastores nômades; em sociedades camponesas, em países desenvolvidos e industrializados; em mundos sociais sem classes, de classes, com este ou aquele tipo de conflito entre as suas classes; em tipos de sociedades e culturas sem Estado, com um Estado em formação ou com ele consolidado entre e sobre as pessoas.

Existe a educação de cada categoria de sujeitos de um povo; ela existe em cada povo, ou entre povos que se encontram. Existe entre povos que submetem e dominam outros povos, usando a educação como um recurso a mais de sua dominância. Da família à comunidade, a educação existe difusa em todos os mundos sociais, entre as incontáveis práticas dos mistérios do aprender; primeiro sem classes de alunos, sem livros e sem professores especialistas; mais adiante com escolas, salas, professores e métodos pedagógicos.

A educação pode existir livre e, entre todos, pode ser uma das maneiras que as pessoas criam para tornar comum, como saber, como idéia, como crença, aquilo que é comunitário como bem, como trabalho ou como vida. Ela pode existir imposta por um sistema centralizado de poder, que usa o saber e o controle sobre o saber como armas que reforçam a desigualdade entre os homens, na divisão dos bens, do trabalho, dos direitos e dos símbolos.

A educação é, como outras, uma fração do modo de vida dos grupos sociais que a criam e recriam, entre tantas outras invenções de sua cultura, em sua sociedade. Formas de educação que produzem e praticam, para que elas reproduzam, entre todos os que ensinam-e-aprendem, o saber que atravessa as palavras da tribo, os códigos sociais de conduta, as regras do trabalho, os segredos da arte ou da religião, do artesanato ou da tecnologia que qualquer povo precisa para reinventar, todos os dias, a vida do grupo e a de cada um de seus sujeitos, através de trocas sem fim com a natureza e entre os homens, trocas que existem dentro do mundo social onde a própria educação habita, e desde onde ajuda a explicar - às vezes a ocultar, às vezes a inculcar - de geração em geração, a necessidade da existência de sua ordem.

Por isso mesmo - e os índios sabiam - a educação do colonizador, que contém o saber de seu modo de vida e ajuda a confirmar a aparente legalidade de seus atos de domínio, na verdade não serve para ser a educação do colonizado. Não serve e existe contra uma educação que ele, não obstante dominado, também possui como um dos seus recursos, em seu mundo, dentro de sua cultura.

Assim, quando são necessários guerreiros ou burocratas, a educação é um dos meios de que os homens lançam mão para criar guerreiros ou burocratas. Ela ajuda a pensar tipos de homens. Mais do que isso, ela ajuda a criá-los, através de passar de uns para os outros o saber que os constitui e legitima. Mais ainda, a educação participa do processo de produção de crenças e idéias, de qualificações e especialidades que envolvem as trocas de símbolos, bens e poderes que, em conjunto, constróem tipos de sociedades. E esta é a sua força.

No entanto, pensando às vezes que age por si próprio, livre e em nome de todos, o educador imagina que serve ao saber e a quem ensina mas, na verdade, ele pode estar servindo a quem o constituiu professor, a fim de usá-lo, e ao seu trabalho, para os usos escusos que ocultam também na educação - nas suas agências, suas práticas e nas idéias que ela professa - interesses políticos impostos sobre ela e, através de seu exercício, à sociedade que habita. E esta é a sua fraqueza.

Aqui e ali será preciso voltar a estas idéias, e elas podem ser como que um roteiro daqui para a frente. A Educação existe no imaginário das pessoas e na ideologia dos grupos sociais e, ali, sempre se espera, de dentro, ou sempre se diz para fora, que a sua missão e transformar sujeitos e mundos em alguma coisa melhor, de acordo com as imagens que se tem de uns e outros: "... e deles faremos homens". Mas, na prática, a mesma educação que ensina pode deseducar, e pode correr o risco de fazer o contrário do que pensa que faz, ou do que inventa que pode fazer: "... eles eram, portanto, totalmente inúteis"


A pesquisa é um procedimento reflexivo e crítico de busca de respostas para problemas ainda não solucionados. O planejamento e a execução de uma pesquisa fazem parte de um processo sistematizado que compreende etapas que serão detalhadas a seguir.

O presente texto foi baseado na síntese de Edna Lúcia da Silva, professora do Laboratório de Ensino a Distância da Universidade Federal de Santa Catarina e adaptado para educandos do Ensino Médio da rede pública de ensino que desenvolvem pesquisa na aula de Sociologia, do Colégio Municipal Dr. José Vargas de Souza, sob orientação do Professor Diney Lenon de Paulo.

Nesse sentido, a explicação abaixo pode parecer para acadêmicos e cientistas um tanto quanto “enxugada”, ou mesmo “simplória”, todavia, serve de elemento básico para um “primeiro contato” dos educandos com a metodologia científica de pesquisa. Portanto, trata-se de uma síntese de caráter didático elaborada para uma realidade peculiar.


1. ESCOLHA DO TEMA

Nesse primeiro passo é importante ter em mente a seguinte questão: O que pretendo abordar? O tema escolhido deve estar associado ao interesse prévio no assunto que se deseja conhecer, provar, dissertar sobre. A escolha de um tema significa delimitar a parcela de um assunto, pensar nos limites e restrições da abordagem, ou da pesquisa que se pretende desenvolver.

É importante frisar que a escolha do tema pode ser feita a partir da observação do cotidiano, na vida profissional, em programas de pesquisa, em contato e relacionamento com especialistas e também com o público alvo em potencial. Também pode surgir do contato com a literatura especializada, a partir de leituras “descompromissadas” que gerem interesse pelo tema, ou assunto.


2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA, ou REVISÃO DE LITERATURA

O que já foi produzido sobre o assunto? Existem pesquisas na área? Já foi publicado algum artigo, livro sobre o tema escolhido? Existe algum filme que aborda a questão? Com essas questões dá-se o passo importante para o levantamento da literatura existente sobre o assunto. Sem dúvida alguma, essa etapa é fundamental para o bom andamento da pesquisa, pois nela se concentram os esforços de captação e leitura de materiais que irão subsidiar as etapas subseqüentes.

Segundo Edna Lúcia da Silva, pesquisadora do Laboratório de Ensino a Distância da Universidade Federal de Santa Catarina, “a revisão de literatura é fundamental, porque fornecerá elementos para se evitar a duplicação de pesquisa sobre o mesmo enfoque do tema. Favorecerá também a definição de contornos mais precisos do problema a ser estudado”.


3. JUSTIFICATIVA

O “porquê” da pesquisa é o centro da reflexão nessa etapa da pesquisa científica. Nesse momento há uma busca pela identificação das razões da preferência pelo tema escolhido, a importância do tema em relação a tantos outros e também sua importância para a sociedade.

O objetivo da justificativa é convencer o futuro leitor do trabalho, deve ser atraente, sedutora e despertar o interesse pela leitura completa da pesquisa. No caso de uma possível captação de recursos para a realização da pesquisa, deve ser atraente para o possível incentivador, ou patrocinador.

Assim sendo, a justificativa deve deixar claro que existem vantagens, benefícios a serem proporcionados pela pesquisa, “deverá convencer quem for ler o projeto, com relação à importância e à relevância da pesquisa proposta”.


4. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA

O que pretendo responder? Qual o problema que me proponho a resolver? Qual a pergunta da pesquisa? A explicitação e delimitação bem formulada da pesquisa depende, essencialmente, da formulação do problema central a ser pesquisado, portanto, toda atenção, objetividade, clareza nessa etapa auxiliará o andamento dos trabalhos.


5. DETERMINAÇÃO DOS OBJETIVOS

Em sintonia, ou seja, coerentes com a justificativa e com o problema levantado, os objetivos devem sintetizar o que se pretende alcançar com a pesquisa. Os enunciados devem começar com um verbo no infinitivo e este verbo deve indicar uma ação passível de mensuração.


6. METODOLOGIA

Como será feita a pesquisa? De que forma? Que tipo de pesquisa? Amostra? Entrevistas? Questionários? Que recursos serão utilizados? Como os dados serão coletados? Fotos? Filmagens? Visitas a instituições?

As questões devem ser o centro da reflexão nessa etapa para que a pesquisa esteja bem “desenhada” no imaginário do pesquisador desde o início. Isso significa que, com a definição da metodologia, o pesquisador saberá, desde o início, todos os passos a serem dados e como irá registrar as informações necessárias.


7. COLETA DE DADOS

A pesquisa de campo é, sem dúvida, a etapa do trabalho mais atraente e mais surpreendente. É o momento em que o pesquisador se depara com o universo real antes imaginado e sistematizado durante a revisão de literatura.

O contato concreto, ou o “pôr a mão na massa”, ver e sentir a realidade estudada proporciona ao pesquisador um crescimento e entendimento mais completo sobre o tema pesquisado. Paciência e persistência são qualidade fundamentais nessa etapa.

A paciência para buscar e encontrar os momentos adequados de coleta e o conflito muitas vezes imprevisível entre o esperado e o vivenciado. Já a persistência poderá garantir a superação dos desafios por ventura não esperados.


8. TABULAÇÃO DOS DADOS

Nessa etapa os recursos tecnológicos são de suma importância para a sistematização dos dados obtidos durante a pesquisa de campo. É o momento em que são gerados gráficos, esquemas para futura análise, comparação e leitura crítica.

A estatística estará presente nessa etapa, por meio dos recursos computacionais e proporcionará ao pesquisador a qualidade e eficiência esperada numa pesquisa científica.


9. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

Após a “longa caminhada” efetuada pelo pesquisador e, principalmente após a coleta de dados, o pesquisador estará apto a analisar os dados obtidos. Assim, como colocado acima, a importância da revisão bibliográfica irá se manifestar como subsídio para a análise dos dados coletados.

Não existe a possibilidade do pesquisador se furtar dessa etapa, ou transferir a terceiros a incumbência da análise, pois ele foi quem captou os dados e ele foi quem “estudou” sobre o tema e poderá então analisar os resultados para a comparação necessária.


10. CONCLUSÃO DA ANÁLISE E DOS DADOS OBTIDOS

Nesse momento o pesquisador já tem condições de produzir uma síntese dos dados obtidos com a pesquisa. Os objetivos traçados deverão ser analisados e pontuados em seu alcance.

As hipóteses serão ratificadas ou descartadas. Aquilo que se propôs a pesquisar, ou a resposta levantada no início da pesquisa deverá ser respondida. Foi alcançado o objetivo da pesquisa? Aquilo que se imaginada (hipótese) foi confirmado? Sim? Não? Por que?

A conclusão deve fechar os questionamentos levantados.


11. REDAÇÃO E APRESENTAÇÃO DO TRABALHO CIENTÍFICO

É o momento da redação do relatório final da pesquisa. O caráter dissertativo do texto deve ser claro, objetivo e atento às regras gramaticais e normas de produção e formatação de textos acadêmicos. Deve também conter as referências bibliográficas utilizadas.

A apresentação deve ser também clara e possibilitar ao “leitor” uma dimensão total da pesquisa.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Festa de São Benedito, Caiapós e Ternos de Congo, expressões da cultura popular de Poços de Caldas e região


Data: 08 de maio

Local: Instituto Cultural Companhia Bella de Artes – Cia. Bella de Artes

Rua Prefeito Chagas, 305 – Andar PL. – Telefone de contato: (35) 3715 5563 ou 9976 1513 (Greice Keli)

Msc. Maria José de Souza

Mestre em Antropologia e História pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP e militante do Centro Cultural Afro Brasileiro Chico Rei

O Projeto Ciclo de Oficinas Culturais Juventude e Cidadania é um projeto que visa incentivar agentes culturais, educadores, estudantes secundaristas e universitários, jovens e adultos ligados à produção cultural a refletir sobre a cultura, a cidadania e o conhecimento científico e popular dentro de uma proposta de ensino-aprendizagem dialógica.

Focado em oficinas ministradas por militantes culturais com notoriedade e grande reconhecimento público de seus trabalhos, como Carlos Rodrigues Brandão (Antropólogo), Nizar El Khatib (Comunidade de Cultura Árabe), Ronaldo Sales Senna (UEFS), Maria José de Souza (Centro Cultural Afro Brasileiro Chico Rei) dentre outros, o Ciclo de Oficinas Culturais Juventude e Cidadania é um projeto que existe há 4 anos e congrega militantes culturais, estudantes e educadores num espaço coletivo de construção do conhecimento. Com incentivo da empresa Alcoa Poços de Caldas através de sua aprovação pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura e pretende ampliar sua esfera de atuação e abrangência, com maior qualidade, profissionalismo e envolvimento da comunidade aprendente de Poços de Caldas e região.

Incentivo Cultural:

Alcoa

Apoio:

Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Nº 6363/96

Instituto Cultural Companhia Bella de Artes - ICCBA

A Escola é chata?


Você acha a escola chata e pensa que muitos professores são antiquados, saiba que você pode estar certo, mas a escola pode ser o que você fizer dela... Esse vídeo é muito interessante, vale a pena assistí-lo.

domingo, 18 de abril de 2010

Encontro com Milton Santos




Encontro com Milton Santos: O mundo global visto do lado de cá, documentário do cineasta brasileiro Sílvio Tendler, discute os problemas da globalização sob a perspectiva das periferias (seja o terceiro mundo, seja comunidades carentes). O filme é conduzido por uma entrevista com o geógrafo e intelectual baiano Milton Santos (1926–2001), gravada quatro meses antes de sua morte.

Considerado um dos maiores pensadores brasileiros do século XX, Milton Santos não era contra a globalização e sim contra o modelo de globalização perversa vigente no mundo, que ele chamava de globalitarismo. Analisando as contradições e os paradoxos deste modelo econômico e cultural, Milton enxergou a possibilidade de construção de uma outra realidade, mais justa e mais humana.



sexta-feira, 16 de abril de 2010

CICLO DE OFICINAS CULTURAIS JUVENTUDE E CIDADANIA



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Psicologia e Transformação Social

Profº Renato Keffi - Unicamp

O Projeto “Ciclo de Oficinas Juventude e Cidadania”, incentivado através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura pela Alcoa Poços de Caldas apresenta a primeira oficina desse semestre a ser realizada:

Dia 17, sábado, às 16h

No Instituto Cultural Companhia Bella de Artes (Edifício Manhattan, Rua Prefeito Chagas, 305)

ENTRADA FRANCA (com direito a certificado de participação)

O Projeto desenvolvido em parceria com o Instituto Cultural Companhia Bella de Artes desde 2006 esse ano apresenta uma inovação, o incentivo da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e conta com vários oficineiros de notório reconhecimento que abordarão temáticas ligadas à cultura e sociedade. O projeto é destinado a estudantes secundaristas, agentes culturais, universitários e população em geral.

Formado em composição pela UFMG Renato Kefi é atualmente professor de piano e pianista acompanhante do Conservatório Municipal de Música de Poços de Caldas. É professor de prática de orquestra na USP de Ribeirão Preto. Participou de diversos festivais brasileiros acompanhando ou interpretando suas próprias composições obtendo diversas premiações. Em 2005 foi vencedor do prêmio BDMG Instrumental. Em 2003 fez arranjos para o CD Quatro Histórias de Rubem Alves e o violeiro Ivan Vilela, executados pela Orquestra Sinfônica de Campinas, sob regência de Cláudio Cruz (com Ivan Vilela e Paulo Freire). Apresentou-se nos projetos BDMG Instrumental e Sesc Instrumental, transmitidos pela TV Cultura, TVS (Senac) e TV Senado.

Maiores informações: (35) 9976 1513 (Greice Keli)

Incentivo Cultural:

Alcoa Poços de Caldas

Apoio:

Prefeitura Municipal de Poços de Caldas

Lei Municipal de Incentivo à Cultura

Instituto Cultural Companhia Bella de Artes

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Padrões de Cultura


por Diney Lenon de Paulo

A concepção do costume ainda é pouco difundida entre os meios acadêmicos que fazem estudo da antropologia nos dias atuais. Ao ocupar-se dos seres humanos como produtos da vida em sociedade, a antropologia busca o conhecimento das diversas culturas existentes, as suas formas de transformação e diferenciação, mas o costume, enquanto fruto das relações de um determinado grupo social e perpetuação deste, requer ainda um estudo mais aprofundado, pois nenhum ser está imune às tradições da sociedade em que está inserido.
Partindo desse princípio, a antropóloga Ruth Benedict inicia suas considerações acerca dos Padrões de Cultura e do costume local em contraposição à natureza humana, objetivando estabelecer critérios científicos, embasados pela antropologia social, que possam vir a contribuir ao esclarecimento dessa questão.
A natureza humana ao longo da história tem sofrido transformações quanto à sua definição. A nossa falsa perspectiva acerca da “incomparabilidade” do homem frente aos demais seres tem sido alvo de críticas por parte de estudiosos desde princípios do século XIV, quando Copérnico recusou-se a aceitar a subordinação deste planeta a ocupar “apenas um lugar entre outros no Sistema Solar”. No decorrer dos séculos, no tempo de Darwin, tendo cedido ao inimigo a centralidade da Terra, diante da imensidão do Sistema Solar, “o homem lutou com todas as armas de que dispunha pela exclusividade da alma, atributo inconcebível dado por Deus”.
O homem sendo resultado da evolução dos primatas, teoria defendida pelos evolucionistas, causava um certo desconforto aos padrões sociais existentes, e ainda hoje, segundo a autora, os homens sentem essa preocupação quanto à centralidade das suas instituições e realizações do processo de expansão da civilização branca, fato esse comprovado pelas estruturas sociais dos mais primitivos grupos sociais.
Todas as tribos primitivas concordam em reconhecer a categoria dos estranhos ao seu grupo, que estão fora do código moral, não reconhecendo a estes um lugar no esquema humano. O homem primitivo sempre foi um habitante de uma província, assim afirma Ruth Benedict, e criou altas barreiras para a sua isolação, esse fato gerou um “estranhamento” em relação ao outro, e não só isso, mas uma não aceitação ao outro, ao diferente. Essa distinção se faz notar entre o aspecto religioso: “A distinção entre qualquer grupo e povos estranhos torna-se, em termos de religião: a de verdadeiros crentes e de pagãos”.
A nossa cegueira perante as outras culturas está implícita no processo de expansão da civilização do homem branco. Defendemos a inevitabilidade de cada motivação familiar, tentando sempre identificar os nossos modos locais de comportamento, com Comportamento, ou os nossos próprios hábitos em sociedade, com Natureza Humana. Assim diz Ruth Benedict quanto ao desdém com que tratamos o diferente: “...não conseguimos compreender a relatividade dos hábitos culturais, e continuamos privados de muito proveito e de muito prazer nas nossas relações humanas com povos de diferentes tipos de cultura, e a não ser dignos de confiança nas nossas relações com eles”.
Nos dias atuais onde o que vemos são “as novas cruzadas do bem contra o mal”, essa questão se torna evidente aos nossos olhos. O etnocentrismo, tanto puramente cultural (moral e ético), quanto religioso (judaico-cristianismo), político (democracia frente às instituições locais) representa essa padronização do pensamento e das instituições, onde se sobressai aquele que possui maiores “argumentos civilizatórios”. A confusão entre o costume local com natureza humana deve ser repensada e analisada com profundidade, pois diante dessa “nova cruzada”, o diferente perde lugar e a velha concepção da centralidade do homem, do “eu” e da “minha instituição” frente à “instituição do outro” tem gerado conflitos étnicos e de civilizações. A proposta de homogeneização, ou ocidentalização do globo, que atende interesses políticos específicos é uma ameaça ao próprio homem, pois a diferença é inerente à sua própria construção e institucionalização de suas relações.
O preconceito de raça, justificativa ideológica da civilização branca, tem origem na base cultural onde está inserido e esse reconhecimento é uma “necessidade desesperada da civilização Ocidental”. A conscientização de que “o homem é moldado pelo costume e não pelo instinto” é um aspecto a ser trabalhado pelas ciências sociais. A essa problemática a antropologia dá duas respostas: a primeira respeita à natureza da cultura e a segunda à natureza da herança, assim conclui a antropóloga Ruth Benedict.
A pureza racial é ilusão, a hereditariedade é uma questão de linhagens familiares, para além disso é mito. O que na realidade liga os homens é a sua cultura, as idéias e os padrões que têm em comum, essa diferenciação das sociedades é uma premência que se faz notar diante do processo civilizatório judaico-cristão.
O respeito ao outro, ao diferente se coloca como necessidade da manutenção do convívio em sociedade. A cultura se apresenta como elemento conciliador e delimitador do respeito. O posicionamento etnocêntrico frente ao mundo pode gerar, como tem gerado, desastres humanitários, as ciências sociais desempenham nesse contexto papel fundamental para a afirmação da cultura enquanto conjunto de atitudes, valores e padrões que moldam a identidade. A conscientização de que o ser é moldado pelo meio em que vive e que as verdades são relativas é um passo fundamental para que o impasse que vivemos nesse princípio de século, entre o “bem e o mal”, seja sanado, essa visão maniqueísta das coisas pode muito bem ser solucionada dentro das possibilidades que a antropóloga Ruth Benedict coloca quando afirma que a cultura não é um complexo que seja transmitido biologicamente, nem mesmo a herança cultural, a compreensão do outro e do processo de construção deste, dos seus valores e instituições, é o caminho que se faz necessário para um avanço nas relações entre os homens, entre as sociedades, entre os diferentes.

A Crise dos Movimentos Sociais na Década de 1990


Entre os meios acadêmicos, ultimamente, se tornou corrente a idéia da “crise dos movimentos populares”, da ascensão dos princípios individualistas em função do declínio dos valores sociais e coletivos desenvolvidos no decorrer da década de 1980. Traçando esse caminho para a sua reflexão, Maria da Glória Gohn, em Movimentos Sociais e Educação (Cortez, 1992), desenvolve em seu texto, A Crise dos Movimentos Populares nos anos 90, uma série de questionamentos acerca da real “crise” dos movimentos populares.

Em conseqüência da abertura política que se deu nos anos 80, uma “nova racionalidade” surgiu entre os movimentos populares, a noção de direitos e participação popular tomou grande proporção, resultando na consolidação desse movimento com a Constituição de 1988. Esse processo de institucionalização dos movimentos sociais, com a orientação das normas vigentes na sociedade em suas ações, ainda colocou em prática o uso de assessorias por parte dos movimentos sociais para a elaboração de suas políticas.

Nesse sentido, Maria da Glória Gohn ressalta o caráter da “cultura política existente” e suas implicações concretas nas ações dos movimentos sociais. Os “vícios, hábitos e valores seculares” contribuíram para o não desenvolvimento de um projeto claro que viabilizasse a inversão das relações sociais existentes. Considerando que os movimentos sociais são históricos e estão embutidos numa historicidade particular, a autora desenvolve a tese de que os movimentos populares estão numa “fase de refluxo” e, por serem históricos, “se transformam, agregando elementos novos, ou negando velhos, segundo a conjuntura do momento histórico”.

A crise dos movimentos populares é apresentada segundo determinantes externos, como a crise econômica e do trabalho, as políticas neoliberais, o refluxo e a institucionalização dos movimentos, etc. Mas a caracterização interna dos movimentos também é considerada pela autora do texto. Os fundamentos da crise são apresentados na origem dos próprios movimentos e a concretização da crise está embutida no desenrolar destes.

Toda a luta política dos movimentos sociais resulta numa tentativa de construção de uma identidade sócio-cultural. Essa identidade entra em contradição quando da utilização das “assessorias” por parte dos movimentos sociais. A política dos movimentos sociais surge como uma luta original e contextualizada, autêntica, enquanto que, a política para os movimentos sociais, trabalhada pelas assessorias molda um outro paradigma, diferente. Segundo a autora, “A necessidade de se implantar linhas e diretrizes, que não foram construídas no interior dos movimentos, é incompatível com o desabrochar da vontade dos grupos e movimentos sociais”.

A construção dessa tese se dá sob a análise das três tendências que influem os movimentos sociais nos tempos atuais. A participação, o igualitarismo e a organização/direção são as fontes básicas de inspiração dos movimentos sociais dos anos 70/80 e essas tendências têm papel fundamental no desenvolvimento das políticas destes ainda nos dias atuais.

A prática da “participação” se funda no princípio da participação e da construção do sujeito construtor de sua história, não sendo necessariamente partidarizada. O igualitarismo, elaborou princípios que parte de que todos os seres humanos são iguais no ponto de vista das ações, no desenrolar das mesmas e nas metas que devem atingir, sua base está na Igreja Católica, na sua ala da Teologia da Libertação. A Organização/Direção, de maior representatividade, atende à política das “assessorias”, está articulada a partidos políticos e entidades sindicais, como o PT e a CUT.

Essa última tendência de atuação política nas estruturas de poder político/estatal é o ponto onde Maria da Glória Gohn desenvolve a sua crítica à institucionalização dos movimentos sociais e a perda dos seus objetivos originais. Outro ponto crítico dessa tendência é o fato de que “os conflitos de sentido/orientação/direção têm sido resolvidos com a expulsão dos membros não enquadráveis na orientação predominante”.

Em suma, os movimentos sociais cresceram em maior ou menos grau, as lideranças populares conseguiram crescer sem se atrelar aos compromissos externos, conseguiram construir metas de atuação. Há uma orientação de uma política fundada na participação plena dos indivíduos enquanto cidadãos.

A crise dos movimentos sociais populares que é apresentada por muitos não surte muito sentido se não considerados esses pontos necessários a uma reflexão mais profunda. A originalidade dos movimentos sociais, de suas ações, frente à incorporação de outros pela estrutura social é a dinâmica que move a concretização dos movimentos e seus objetivos. A análise da conjuntura política e da estrutura de um determinado momento histórico não pode ser desconsiderada, nem relegada a segunda plano, pois os movimentos sociais não surgem do nada, têm uma construção determinada historicamente e os avanços da luta se darão havendo essa análise.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Imagens... por Sebastião Salgado




Sebastião Ribeiro Salgado é um fotógrafo brasileiro reconhecido mundialmente por seu estilo único de fotografar. Nascido em Minas Gerais, é um dos mais respeitados fotojornalistas da atualidade. Nomeado como representante especial do UNICEF em 3 de abril de 2001, dedicou-se a fazer crônicas sobre a vida das pessoas excluídas, trabalho que resultou na publicação de dez livros e realização de várias exposições, tendo recebido vários prêmios e homenagens na Europa e no continente americano. "Espero que a pessoa que entre nas minhas exposições não seja a mesma ao sair".

sábado, 3 de abril de 2010

O futebol dos Filósofos

Achei esse vídeo na Web e resolvi postar aqui. Muito bacana, só faltou o Marx fazer um gol, mas tá valendo...

Elitismo


Como poderia a democracia ser desenvolvida dentro dos partidos políticos era a questão inicial dentre a linha do pensamento da Ciência Política denominada elitismo. A concentração de poder, a cristalização das lideranças e a “oligarquização” interna dos partidos, eram questões paradoxais expressas nos partidos que se apresentavam como guardiões da democracia.
A cidadela iluminista, embasada na racionalidade, desde seus primeiros passos sofrera uma severa hostilidade por parte dos remanescentes do antigo regime. A idéia de igualdade e a de que a democracia é o processo de desenvolvimento do ser humano em suas potencialidades, desde de seus primórdios, em fins do século XIX era centrada no ceticismo e em enormes resistências. Mosca, Pareto e Michels são os seus “pais fundadores” que desenvolveram essa ciência já na primeira metade do século XX.
Segundo Pareto, “ há em todas as esferas e todas as áreas de ação humana, indivíduos que se destacam dos demais por seus dons, por suas qualidades superiores. Eles compõem uma minoria distinta do restante da população – uma elite”. Já Mosca, em The ruling class (1923), desenvolve sua concepção de que existem duas “classes de pessoas”, a dirigente e a dirigida, sendo que a primeira se distingue da segunda pelo seu alto nível de organização. Michels estudou o interior dos partidos políticos ditos “guardiões da democracia” e percebeu que nesses partidos havia práticas similares ao nepotismo, do favorecimento e da cooptação e muito pouco valor dado ao destaque por mérito, à concorrência, e também à eleição.
Um dos pontos que mais desperta interesse e discussão na teoria elitista é a idéia de igualdade entre os homens. A massa da população, segundo essa teoria, é facilmente manobrável e influenciada por aqueles que se destacam em sua oratória, seu poder de persuasão e carisma. O exemplo usado por esses pensadores é a assembléia popular. Nessa, as pessoas, em sua maioria, estão expostas à ação de “oportunistas”, que desempenham o papel de lideranças e “que se aproveitam do imprevisto, de instintos e desejos primitivos, de elementos inferiores caracterizados por um baixo valor mental” a que as pessoas estão submetidas nesse contexto, acabando por impor as suas vontades particulares em detrimento das reais aspirações da maioria.
Tanto a sociedade capitalista, quanto a sociedade socialista, como qualquer outra sociedade possuem a sua elite, a sua “classe dirigente”. Isso é comprovado por fatos evidenciados por esses regimes, onde o que os difere parece ser o seu objetivo de manutenção e concentração do poder político em função da vulnerabilidade da massa popular aos intentos de oportunistas.
A democracia, tal qual concebida pelos princípios iluministas sofre assim um revés na sua aplicabilidade. Um exemplo levantado pelos defensores da teoria elitista é o fato de que na primeira metade do século XX, a massa, manobrada por demagogos, se encaminhou ao regime totalitário, iludida. A ampla base popular passivamente anestesiada pelo discurso oportunista rumou para a negação da democracia.
Num estudo de caso sobre o elitismo contemporâneo
No princípio do século em que vivemos podemos analisar, a partir de tais reflexões teóricas e históricas, o quão presente se faz esse pensamento entre os partidos de esquerda brasileiros, ditos “neoguardiões da democracia”, defensores da participação popular.
Um exemplo a considerar é a política desenvolvida pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em seus programas de participação popular como o “Orçamento Participativo”. Com um discurso populista e demagogo que nos remete aos oportunistas apresentados acima, as reuniões do Orçamento Participativo (OP), são abertas à participação da população, mas as mesmas são conduzidas por representantes do alto escalão executivo que apresentam as regras do OP, a começar pela reduzida parcela do orçamento geral destinado à “participação popular” e pelas obras que podem ser incluídas, ou não no OP.
Os condutores da reunião, escolhidos a dedo, apresentam uma série de dados técnicos incompreensíveis para a maioria dos cidadãos, tentando justificar a negação de algumas demandas levantadas em assembléia. Muitas vezes questões pontuais e críticas ao processo são levantadas pelos participantes e pontualmente os “guardiões da democracia” se colocam na defesa de seus superiores, sua elite, e com toda a oratória que dispõem e todo o poder de persuasão lutam por derrubar questões levantadas pela maioria, até que conquistam uma parte desta e assim reformulam a vontade da maioria.
Isso foi evidenciado pelo autor deste artigo quando da reunião do OP em seu bairro, onde a maioria almejava a construção de casas e uma creche, mas os “oportunistas de plantão” se fizeram persuasivos, explicando que não seria possível, devido ao plano municipal de habitação já estar programado e a verba do OP ser reduzida, não cabendo a esse, aplicar políticas deste tipo. Percebia-se que aqueles condutores da reunião tinham objetivo diferente da proposta inicial, sua intenção era projeção pessoal, pois ali encontravam-se pessoas eternamente “pré-candidatas” e, se por um acaso ali alguém se manifestasse com potencial de liderança fazendo críticas, esse alguém logo seria podado pelos “detentores natos da liderança”.
Em Poços de Caldas, a “Administração Popular do PT”, se resume a um reduzido grupo, uma elite que se reveza no poder. Secretário de Assistência Social deixa cargo e assume Imprensa, Secretário de Administração é Secretário Serviços Urbanos, Vice-Prefeito é Secretário de Obras, enquanto a massa popular é mantida no seu devido lugar à espera de sua participação em 2004. Vê-se assim que a elite que se encontra no poder não pretende abrir mão deste, já que o considera como propriedade sua. Toda essa propaganda de “Administração Popular e Participativa” é necessária para legitimar a permanência de uma elite no poder.
Muitas comissões especiais de participação popular foram criadas, envolvendo setores interessados, como a de cultura, esportes, políticas públicas de juventude... mas todas são compostas em sua maioria por representantes da elite governamental.
A própria esquerda brasileira tem práticas elitistas, a diferenciação se encontra no objetivo destas. Muitas vezes, em função das forças maiores que regem nossa sociedade capitalista impedem que se aplique a “democracia utópica”. As classes dominantes, detentoras do poder político e econômico lutam por minar toda a forma de construção e conscientização do poder popular. As pessoas que atuam junto à esquerda se formam nesse contexto a absorvem esses vícios sem pensarem no paradoxo que representa a manutenção do elitismo demagogo. O que acontece é que a defesa dessa elite se torna, muitas vezes, alienada e inconsistente.
Existe toda uma série de fatores que impedem o desenvolvimento pleno da democracia, as elites oportunistas são uma deles. Essas elites se apropriam do poder político que lhes conferem as massas e passam a conduzi-las em benefício próprio. Mas existe a elite progressista messiânica que acredita ser a detentora da salvação da massa ignorante e que muitas vezes se perde nessa argumentação, pois afastam a massa popular das discussões centrais e decisões, deixando-as como cordeiros passivos, meros espectadores.
A elite que se espera é a elite de vanguarda, que estando um passo à frente não pretenda assim se manter, mas sim construir uma consciência junto à massa para que essa se desenvolva e assuma o seu papel histórico. A elite socialista se difere nesse ponto, a vanguarda consciente que almeja a construção da sociedade comunista, onde todos possam desenvolver a sua capacidade crítica e racional para que não fiquem reféns de demagogos oportunistas.
É necessário forjar uma elite de vanguarda, progressista e altruísta. Combativa diante da demagogia e do distanciamento e isolamento social de muitos grupos de comando. Essa elite carece de ser histórica e desempenhar sua “missão” de ampliar a consciência de classe, denunciar os limites institucionais da democracia burguesa para radicalizar a ação popular no sentido de se fazer a teoria elitista um tanto quanto abstrata e distante de uma realidade plural, horizontal e socialista.

domingo, 28 de março de 2010

Movimentos Sociais e Educação Popular


A construção da cidadania, e o seu conseqüente engajamento político é um processo que se verifica em alguns aspectos do desenvolvimento dos estudos sobre movimentos sociais e educação popular que se entrelaçam em pesquisas na área das ciências sociais a partir da década de 70 do século passado.
Esse aspecto é ressaltado por Maria da Glória Gohn, em seu livro intitulado: Movimentos Sociais e Educação. No exame dos princípios e métodos da educação popular encontramos várias manifestações que se fazem presentes, concretamente, nos movimentos sociais populares dos anos 80. A autora também ressalta que quando a produção sobre os movimentos sociais cresce, ocorre o inverso com a educação popular, ela declina.
O desenvolvimento autônomo da literatura sobre educação popular e movimento social popular urbano passa por uma transformação, “a educação popular propriamente dita inverte a sua correlação, da educação fundamental para o fundamental da educação”, e nesse ponto é exemplo o MEB – Movimento de Educação de Base – e os programas do Sistema Paulo Freire.
Após a sua fase embrionária, durante a década de 50, onde houve uma grande produção intelectual a nível nacional, (Octávio Ianni, Antônio Cândido, Maria Isaura Pereira de Queirós...) a década de 60 sofreu grande influência da sociologia francesa. Na década de 70, devido à conjuntura do momento, as políticas de educação popular se voltavam para a formulação de estímulos à energia da sociedade civil, a saber os oprimidos, a fala do povo, a construção da consciência e participação política.
Na área da educação, os programas “alternativos” da educação popular se transformam em trabalhos coletivos de equipes junto a populações pobres de áreas específicas. Em contraposição às políticas de assistencialismo desenvolvidas pelo Estado, os movimentos sociais progressistas pressupunham que “as populações mais marginalizadas e mais pobres se apropriem de um novo saber-instrumento; um saber que pode ser usado diretamente na realização dos objetivos sociais desta camada”, tendo como referencial o Sistema Paulo Freire.
Os movimentos populares são uma extensão das práticas educativas desenvolvidas pelos programas de educação popular, nos movimentos sociais a educação é auto-construída no desenvolver do processo e o educativo surge de diferentes fontes.
Mas também é necessário fazer uma autocrítica quanto à postura de alguns movimentos sociais, que “se distanciam de seu objetivo maior em função de querelas secundárias, na defesa de seus redutos e propostas político-eleitorais, deslumbrados pelo poder local”. Diante dessa problemática a autora aponta para a necessidade de se considerar um “antigo ensinamento, tão ignorado: a questão não é lutar pelo poder estatal mas construir uma nova sociedade, reorganizar a sociedade de forma diferente, não mais em cima de utopia de um coletivo abstrato, organizado pelas palavras de ordem de minorias com sede de poder, ainda que um poder mais democrático, organizar a resistência a partir dos indivíduos, de suas singularidades, de seus desejos e aspirações... a partir destes pressupostos é que deveremos construir novas práticas coletivas”.
Após a leitura do texto de Maria da Glória Gohn, percebe-se que a essência de um movimento social está na sua base, na sua construção, ou seja, na educação popular, no desenvolvimento da consciência cidadã e crítica. A cidadania plena só pode ser desenvolvida no movimento social, onde a educação popular é o elemento fundamental da construção da identidade e da auto-afirmação, e esse processo é autêntico, uno, sem fórmulas doutrinárias, apenas a união da ação consciente e pedagógica pode fazer dos indivíduos elementos coesos dentro de um coletivo operador e transformador da sua história.

Globalização Hegemônica e Contra-Hegemonia Global




As grandes transformações ocorridas no mapa geopolítico mundial no decorrer da Guerra Fria (1945-1989) e acentuadas após a dissolução do bloco hegemônico socialista liderado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, URSS, trazem para o campo das ciências sociais um novo objeto, complexo, em formação e carente de conceitos.
Esse processo de expansão mundial do capital denominado globalização tem toda a sua teoria e prática regida pelos princípios do neoliberalismo, a lei do livre mercado, a redefinição do papel do Estado e a reorganização da divisão internacional do trabalho.
Dentro dessa complexa estruturação global de poder em andamento, surge uma problemática que desafia teóricos e cientistas políticos: a identidade do novo cidadão global, qual a sua característica essencial e o seu papel dentro desse contexto, tanto do ponto de vista conformista e, principalmente, conflitante.
Os laços que unem o cidadão ao Estado já não são os mesmos de tempos atrás, ou como se projeta no campo do ideal contratualista. O Estado-nação, após duas décadas de intensas “injunções” ou ingerências internacionais tornou-se uma província da sociedade global. A emergência de estruturas mundiais de poder, organizações multilaterais como o Fundo Monetário Internacional, FMI e a Organização Mundial do Comércio, OMC e as corporações internacionais formam o grande bloco onipotente mundial a ditar as regras de mercado, regras do capital, sem levar em conta a emergência também de uma sociedade civil global que se serve cada vez mais das estruturas de comunicação e organização existentes.
Essa sociedade civil vê suas aspirações se distanciarem das práticas políticas do Estado nacional, estando este cada vez mais vulnerável às “injunções externas” e subalterno às orientações, ou imposições das organizações multilaterais. IANNI (1999) esclarece bem esse descompasso entre o Estado e a sociedade civil em seu artigo A política mudou de lugar: “...a sociedade civil está predominantemente determinada pelo jogo das forças sociais ‘internas’, o Estado parece estar crescentemente determinado pelo jogo das forças sociais que operam em escala transnacional”.
Pode-se dizer que o que está em causa é a construção da “hegemonia conflitante”. Com a vigência da hegemonia mundial do capital, liderada pela potência estadunidense, abrindo fronteiras territoriais, econômicas, culturais, lingüísticas, religiosas para a implantação de sua ideologia consumista e alienante a identidade deixa de ser apenas local ou nacional, mas também se mundializa.
Faz-se necessário a estruturação de um contra-ponto, a nível global, a esse modelo unilateral, agressivo e prepotente, unindo várias correntes de pensamento divergentes entre si, mas que têm algo em comum, o posicionamento contrário a essa nova ordem do caos. “Estão em causa, pois, as condições de construção e realização da hegemonia, seja das classes e grupos sociais subalternos, seja de outros e novos arranjos compreendendo subalternos e dominantes que desafiem as diretrizes dos blocos de poder organizados e atuantes nos moldes do neoliberalismo. Assim, forças sociais importantes da sociedade civil defrontam-se com obstáculos às vezes intransponíveis para traduzir-se em governo, governabilidade, dirigência ou hegemonia. Sim, a construção de hegemonias conflitantes, alternativas ou sucessivas, pode ser um requisito essencial da dialética sociedade civil e Estado. E sem nenhuma hegemonia fica difícil pensar não só em soberania nacional, mas também em democracia, mesmo que apenas política”.
As classes dominantes dirigentes dessa revolução tecnológica têm na mídia o seu “intelectual orgânico” reprodutor dos seus valores e dentre esses, o consumismo adquire uma nova significação. Impregnado pela mídia, por todos os meios de comunicação, o consumismo adquire valor de cidadania, de prazer humano, “devido ao modo pelo qual a publicidade induz ao consumo faz com que indivíduos, coletividades e multidões, consciente ou inconscientemente, elejam o consumismo como um exercício efetivo de participação, inserção social ou mesmo cidadania”. O cartão de crédito assume a posição de status quo, principal documento de identidade, de credibilidade, o cidadão globalizado é reconhecido pelo seu poderio econômico. Com a ausência do Estado forte e com a lei do livre mercado a pleno desenvolvimento, a qualidade de cidadão se dá àquele que possuir esse documento.
A nova ordem mundial, com seu desenvolvimento sem precedentes na história gera também um movimento, uma “hegemonia conflitante” com potencial na mesma proporção, mas a formação dessa alternativa esbarra em teorias e ideologias conflitantes entre si. É necessária uma leitura aprofundada do contexto e da correlação de forças entre o histórico conflito capital/trabalho e buscar a consolidação de um consenso, de um movimento mundial contra o neoliberalismo envolvendo toda a sociedade numa frente ampla, empresários nacionalistas, trabalhadores, governos progressistas e patriotas, movimentos sociais e excluídos em geral, pois o momento é difícil e crucial para a humanidade.
Em linhas gerais, pode-se notar que esse movimento existe e é crescente. Essa “hegemonia conflitante” se expande devido à própria contradição desse modelo excludente neoliberal, a palavra agora é “alternativa”, comunicação alternativa, alimentação alternativa, valores alternativos... buscando unir o mundo nesse desenvolvimento dialético da história.
Como afirma Ianni, o cenário em que emergem as manifestações sociais, econômicas, políticas e culturais pode ser chamado de neosocialismo, e esse é o palco onde a política está sendo reterritorializada. O exercício pleno da cidadania alternativa, não a cidadania do capital, é a busca da articulação do regional com o global, a afirmação do nacional e a consciência do todo, da mundialização da identidade e da luta de classes que se define num novo patamar da história, sendo necessária uma compreensão do velho que se definha e o novo que germina.

Sociologia Urbana e o Direito à Cidade


A ciência analítica que tem por objeto a cidade é uma ciência que ainda encontra-se no esboço. Assim Henri Lefèbvre, em sua obra O direito à cidade inicia suas considerações sobre o desenvolvimento das cidades e das relações sociais estabelecidas no contexto histórico urbanístico. A reflexão sobre a cidade exige uma contextualização histórica e visa o conhecimento e a reconstituição das capacidades integrativas do urbano, bem como as condições de participação prática .
O direito à cidade refere-se ao direito à vida urbana, à habitação, à dignidade, significa pensar a cidade como espaço de usufruto do cotidiano . Considerando o pensamento de Lefèbvre, ultrapassa o conjunto de necessidades físicas, significando um conjunto de necessidades “antropológicas socialmente elaboradas”. Nesse sentido o direito à cidade abarca as necessidades físicas e psicológicas do indivíduo, e o exercício desse direito requer uma estratégia orientada à sua garantia e à participação dos cidadãos na sua plena aplicação.
Considerando o modelo de sociedade em desenvolvimento, a sociedade do capital, a cidade, como outras formas sociais, adquire o caráter de mercadoria, tornando-se acessível aos possuidores dos meios econômicos para usufruí-la. A cidadania é algo ainda a ser conquistado, ou reconstruído pelos agentes da sociedade, pelo conjunto de excluídos da sua própria cidadania.
Existem hoje mais de 300 “cidades-regiões” no mundo com população superior a 1 milhão de habitantes, destas, 20 com mais de 10 milhões. Estratégias de planejamento e políticas urbanas tradicionais nessas regiões tornam-se problemáticas . A partir destas constatações a ciência da cidade se vê desafiada por novos questionamentos, desafiada a elaborar uma conceituação nova e a formular uma prática condizente com o movimento histórico que tem configurado essa nova realidade.
O quadro atual da correlação de forças não favorece o trabalho, o sistema social do capital alcança a sua fase imperialista, de dominação global. As ideologias que marcaram o século XX foram sucumbidas e as alternativas de sociedade ficam restringidas à hegemonia. Duas ideologias predominantes cruzam essas questões, a neoliberal e a social-liberal , sendo a segunda uma aproximação da social-democracia da linha neoliberal. Muitos pensadores concordam com Fukuiama, a história teve o seu fim.
O pesquisador do espaço urbano Henri Lefevre aponta para a superação do velho humanismo e para a direção dos esforços analíticos no sentido de uma nova práxis, de um novo homem, o homem da sociedade urbana. Lefebvre a importância da formulação de uma nova estratégia urbana, que significa a formulação de um hierarquia de variáveis da ações políticas, sem considerar as estratégias existentes e os conhecimentos adquiridos. Essa busca visa o conhecimento necessário para a “planificação do crescimento e para o domínio do desenvolvimento”.
Apenas os grupos organizados podem realizar as reformas necessárias. Tais reformas segundo Lefebvre, têm caráter não de recolocação da ordem, mas revolucionário, no sentido de solução dos problemas urbanos. Para tal, é necessário a integração das força sociais nesse projeto, nessa estratégia. Dois pontos práticos levantados pelo autor são a formulação de: Um programa político de reforma urbana e projetos urbanísticos bem desenvolvidos.
O programa político, de caráter singular e paradoxal, deverá ser proposto aos partidos políticos, preferencialmente àqueles que procuram representar a classe operária, essencial à proposta transformadora, aos partidos políticos de esquerda. Os projetos urbanísticos bem desenvolvidos deverão conter proposições a curto prazo, a prazo médio e a longo prazo, constituído uma estratégia urbana propriamente dita.
A ciência da cidade deve considerar o processo histórico e impulsiona-lo. O direito à cidade configura-se como direito inalienável do indivíduo, haja vista o que representa o espaço urbano no desenvolvimento do sistema capitalista imperialista. O direito à cidade significa o direito à vida, o direito ao usufruto dos bens urbanos pelos cidadãos, resta agora impulsionar o processo de conscientização sobre a cidadania, sobre a razão das desigualdades de classes e a sua superação.

Manifesto do Partido Comunista - Resenha


I
Burgueses e proletários

Burgueses e Proletários. Entende-se por burgueses, a classe dos capitalistas modernos, proprietários dos meios de produção social e empregam trabalho assalariado; e por proletários, a classe dos trabalhadores assalariados modernos, que não tendo meios de produção próprios, são obrigados a vender sua força de trabalho para sobreviver.
A história de todas as sociedades que já existiram até hoje é a história de luta de classes, opressores e oprimidos sempre estiveram em constante oposição uns aos outros.
Surgida das ruínas da sociedade feudal, a moderna sociedade burguesa não eliminou os antagonismos de classe, apenas estabeleceu novas condições de opressão. Dos servos da Idade Média nasceram os moradores dos burgos das primeiras cidades; deles saíram os primeiros elementos da burguesia.
O modo de exploração feudal não mais atendia às necessidades que aumentavam com o crescimento dos novos mercados; a divisão do trabalho entre as diversas corporações desapareceu diante da divisão do trabalho dentro de cada oficina. O lugar da manufatura foi ocupado pela grande indústria moderna e essa criou o mercado mundial sedento de avanço econômico-político.
A burguesia moderna é o produto de um longo processo de desenvolvimento, de uma série de revoluções nos modos de produção e troca. Cada uma dessas etapa foi acompanhada por um progresso político correspondente. A burguesia, com o estabelecimento da grande indústria e do mercado mundial, conquistou finalmente o domínio político exclusivo no Estado representativo moderno. O poder político do Estado moderno nada mais é do que um comitê para administrar os negócios comuns de toda a classe burguesa.
A burguesia desempenhou um papel histórico revolucionário, onde quer que ela tenha conquistado o poder. Ela transformou atividades consideradas de veneração em atividades assalariadas, o médico, o poeta, o jurista, o padre, o homem da ciência; com o rápido aperfeiçoamento dos instrumentos de produção, a burguesia mudou radicalmente os variegados laços feudais, no lugar da exploração mascarada por ilusões políticas e religiosas colocou a exploração aberta.
A necessidade de mercados cada vez mais extensos para seus produtos impele a burguesia para todo o globo terrestre, submetendo o campo ao domínio da cidade, os povos camponeses aos povos burgueses; aglomerou a população; centralizou o poder nas mãos do Estado, como forma de melhor administrar os conflitos.
A classe burguesa se apropriou dos meios de produção, do poder político e concentrou a propriedade num domínio jamais visto na história. Subjugando forças da natureza, unificando as nações, as línguas, a moeda, fazendo com que a classe explorada começasse a identificar os seus exploradores, a classe burguesa se viu em paridade de desenvolvimento com a classe proletária.
Os “operários modernos” são a base formada e moldada pela própria burguesia para a sua derrubada. Os operários começam a formar coalizões contra os burgueses, reúnem-se para defender os seus salários. De tempos em tempos, os operários triunfam, mas é um triunfo efêmero. O verdadeiro resultado de suas lutas não é o resultado imediato, mas a união cada vez mais ampla dos operários, quando aí se formam os partidos políticos.
Aproveitando das constantes disputas internas da burguesia e da sua luta contínua contra a aristocracia, a classe operária organizada se farta dos elementos de sua própria educação fornecidas pela burguesia. De todas as classes que hoje se opõem à burguesia, apenas o proletariado é uma classe verdadeiramente revolucionária.
Os proletários só podem se apoderar das forças produtivas sociais suprimindo todo o modo de apropriação já existente até hoje. Os proletários nada têm de seu para salvaguardar, o seu movimento é independente da maioria no interesse da imensa maioria.
Esboçando as fases mais gerais do desenvolvimento do proletariado, seguimos a guerra civil mais ou menos oculta dentro da sociedade atual, até o momento em que ela explode numa revolução violenta e aberta.
A burguesia produz acima de tudo, seus próprios coveiros. Seu declínio e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis.





II

Proletários e comunistas

Os comunistas não constituem um partido à parte, oposto aos outros partidos operários.
O objetivo imediato dos comunistas é o mesmo que o de todos os demais partidos proletários: constituição do proletariado em classe, derrubada da dominação burguesa, conquista do poder político pelo proletariado.
Sua teoria se resume na abolição da propriedade privada burguesa, por entender que essa cria capital e só pode aumentar havendo a exploração do trabalho assalariado. A burguesia chama a supressão dessa situação de supressão da personalidade e da liberdade. E com razão! Trata-se realmente da supressão da personalidade, da independência e da liberdade do burguês.
A propriedade privada se resume a uma pequena parcela da sociedade e os comunistas e proletários, já despossuídos, querem realmente abolir a propriedade existente, uma propriedade burguesa.
O comunismo não priva ninguém, de se apropriar dos produtos sociais; o que faz é eliminar o poder de subjugar o trabalho alheio por meio dessa apropriação.
A família burguesa, plenamente desenvolvida, desaparece com a derrubada do seu complemento.
Os comunistas procuram substituir a educação doméstica pela educação social, procuram transformar o seu caráter, arrancando a educação da influência da classe dominante.
Os operários não têm pátria. Na medida em que é abolida a exploração de um indivíduo por outro, é abolida também a exploração de uma nação por outra.
A revolução comunista é a ruptura mais radical com as relações tradicionais de propriedade, no curso de seu desenvolvimento ela rompe de maneira mais radical com as idéias tradicionais.
Medidas a serem tomadas em diferentes países mais avançados:
1. Expropriação da propriedade fundiária e emprego da renda da terra nas despesas do Estado.
2. Imposto fortemente progressivo.
3. Abolição do direito de herança.
4. Confisco da propriedade de todos os emigrado e rebeldes.
5. Monopólio de crédito nas mãos do Estado, através de um banco nacional.
6. Centralização dos meios de transporte nas mãos do Estado.
7. Multiplicação das fábricas nacionais; cultivo e melhoramento das terras segundo um plano comum.
8. Trabalho obrigatório e igual para todos.
9. Unificação dos serviços agrícolas e industriais.
10. Educação pública e gratuita para todas as crianças.

III
Literatura comunista e socialista

O socialismo reacionário tem em sua crítica e sua principal acusação contra a burguesia é a de que sob o seu regime se desenvolve uma classe que fará ir pelos ares toda a antiga organização social. O que mais reprovam a burguesia é o fate dessa Ter produzido um proletariado revolucionário.
O socialismo pequeno-burguês deseja estabelecer os antigos meios de produção e de troca, e com eles as antigas relações de propriedade. Em ambos os casos, tal socialismo é ao mesmo tempo reacionário e utópico.
O socialismo alemão é um socialismo influenciado pelo socialismo francês, portando um socialismo fora do contexto, ele esqueceu que a crítica francesa, da qual ele era um eco insípido, pressupunha a moderna sociedade burguesa com as correspondentes condições materiais de existência e uma apropriada constituição política- precisamente os pressupostos que, na Alemanha, ainda se tratava de conquistar.
O socialismo conservador ou burguês. Uma parte da burguesia deseja remediar os males sociais para garantir a existência da sociedade burguesa. Os burgueses socialistas querem a burguesia sem o proletariado.
Uma segunda forma desse socialismo procurava fazer a classe operária perder o gosto por todo movimento revolucionário, fazendo com que esse se dedicasse apenas a lutas por melhoramento administrativos que não mudam em nada as relações entre capital e trabalho assalariado.
O socialismo e o comunismo crítico-utópico não encontra em seus inventores condições materiais para a emancipação do proletariado, e opõem-se à procura de uma ciência social, de leis sociais, para criar tais condições. Querem melhorar a situação de todos os membros da sociedade, inclusive dos mais privilegiados, rejeitam toda a atuação política.
Tais proposições têm portanto um sentido puramente utópico e pouco a pouco caem na categoria dos socialistas reacionários ou conservadores, deles se distinguindo apenas pelo seu pedantismo, sua fé fanática e supersticiosa na eficácia milagrosa de sua ciência social.

IV
Posição dos comunistas diante dos diversos partidos de oposição

Os comunistas lutam para alcançar os interesses imediatos da classe operária, mas no movimento presente representa ao mesmo tempo o futuro do movimento. O partido em momento algum cessa de desenvolver nos operários uma consciência tão clara quanto possível do antagonismo hostil existente entre a burguesia e proletariado..
Em todas as partes os comunistas apoiam todo movimento revolucionário contra as condições sociais e políticas existentes, eles lutam e trabalham pelo entendimento entre os partidos democráticos de todos os países.
Os comunistas recusam-se a ocultar suas opiniões e suas intenções. Declaram que seus objetivos só podem ser alcançados com a derrubada violenta de toda a ordem social até aqui existente. Que as classes dominantes tremam diante de uma revolução comunista. Os proletários nada têm a perder nela a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar.
Proletários de todos os países, uni-vos!