quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Tempos Modernos, tempos de Sociologia
A sociologia constitui um projeto intelectual tenso e
contraditório. Para alguns ela representa uma poderosa arma a serviço dos
interesses dominantes, para outros ela é a expressão teórica dos movimentos
revolucionários.
A sua posição é notavelmente contraditória. De um
lado, foi proscrita de inúmeros centros de ensino. Foi fustigada, em passado
recente, nas universidades brasileiras, congelada pelos governos militares
argentino, chileno e outros do gênero. Em 1968, os coronéis gregos acusavam-na
de ser disfarce do marxismo e teoria da revolução. Enquanto isso, os estudantes
de Paris escreviam nos muros da Sorbone que “não teríamos mais problemas quando
o último sociólogo fosse estrangulado com as tripas do último burocrata”.
Como compreender as avaliações tão diferentes
dirigidas com relação a esta ciência? Para esclarecer esta questão, torna-se
necessário conhecer, ainda que de forma bastante geral e com algumas omissões,
um pouco de sua história. Isto me leva a situar a sociologia – este conjunto de
conceitos, de técnicas e de métodos de investigação produzidos para explicar a
vida social – no contexto histórico que possibilitou o seu surgimento, formação
e desenvolvimento.
Este livro parte do princípio de que a sociologia é o
resultado de uma tentativa de compreensão de situações sociais radicalmente
novas, criadas pela então nascente sociedade capitalista. A trajetória desta
ciência tem sido uma constante tentativa de dialogar com a civilização
capitalista, em suas diferentes fases.
Na verdade, a sociologia, desde o seu início, sempre
foi algo mais do que uma mera tentativa de reflexão sobre a sociedade moderna.
Suas explicações sempre contiveram intenções práticas, um forte desejo de
interferir no rumo desta civilização. Se o pensamento científico sempre guarda
uma correspondência com a vida social, na sociologia esta influência é
particularmente marcante. Os interesses econômicos e políticos dos grupos e das
classes sociais, que na sociedade capitalista apresentam-se de forma
divergente, influenciam profundamente a elaboração do pensamento sociológico.
Procuro apresentar, em termos de debate, a dimensão
política da sociologia, a natureza e as conseqüências de sem envolvimento nos embates
entre os grupos e as classes sociais e refletir em que medida os conceitos e as
teorias produzidos pelos sociólogos contribuem para manter ou alterar as
relações de poder existentes na sociedade.
O SURGIMENTO
Podemos entender a sociologia como uma das
manifestações do pensamento moderno. A evolução do pensamento científico, que
vinha se constituindo desde Copérnico, passa a cobrir, com a sociologia, uma
nova área do conhecimento ainda não incorporada ao saber científico, ou seja, o
mundo social. Surge posteriormente à constituição das ciências naturais e de
diversas ciências sociais.
A sua formação constitui um acontecimento complexo
para o qual concorrem uma constelação de circunstâncias, históricas e
intelectuais, e determinadas intenções práticas. O seu surgimento ocorre num
contexto histórico específico, que coincide com os derradeiros momentos da
sociedade feudal e da consolidação da civilização capitalista. A sua criação
não é obra de um único filósofo ou cientista, mas representa o resultado da
elaboração de um conjunto de pensadores que se empenharam em compreender as
novas situações de existência que estavam em curso.
O século XVIII constitui um marco importante para a
história do pensamento ocidental e para o surgimento da sociologia. As transformações
econômicas, políticas e culturais que se aceleram a partir dessa época
colocarão problemas inéditos para os homens que experimentavam as mudanças que
ocorriam no ocidente europeu. A dupla revolução que este século testemunha – a
industrial e a francesa – constituía os dois lados de um mesmo processo, qual
seja, a instalação definitiva da sociedade capitalista. A palavra sociologia
apareceria somente um século depois, por volta de 1830, mas são os
acontecimentos desencadeados pela dupla revolução que a precipitam a tornam
possível.
Não constitui objetivo desta parte do trabalho
proceder a uma análise destas duas revoluções, mas apenas estabelecer algumas
relações que elas possuem com a formação da sociologia. A revolução industrial
significou algo mais do que a introdução da máquina a vapor e dos sucessivos
aperfeiçoamentos dos métodos produtivos. Ela representou o triunfo da indústria
capitalista, capitaneada pelo empresário capitalista que foi pouco a pouco
concentrando as máquinas, as terras e as ferramentas sob seu controle,
convertendo grandes massas humanas em simples trabalhadores desprovidos.
Cada avanço com relação à consolidação da sociedade
capitalista representava a desintegração. O solapamento de costumes e
instituições até então existentes e a introdução de novas formas de organizar a
vida social. A utilização da máquina na produção não apenas destruiu o artesão
independente, que possuía um pequeno pedaço de terra, cultivado nos seus
momentos livres. Este foi também submetido a uma severa disciplina, a novas
formas de conduta e de relações de trabalho, completamente diferentes das
vividas anteriormente por ele.
Num período de oitenta anos, ou seja, entre 1780 e 1860, a Inglaterra havia
mudado de forma marcante a sua fisionomia. País com pequenas cidades, com uma
população rural dispersa, passou a comportar enormes cidades, nas quais se
concentravam suas nascentes indústrias, que espalhavam produtos para o mundo
inteiro. Tais modificações não poderiam deixar de produzir novas realidades para
os homens dessa época. A formação de uma sociedade que se industrializava e
urbanizava em ritmo crescente implicava a reordenação da sociedade rural, a
destruição da servidão, o desmantelamento da família patriarcal etc. A
transformação da atividade artesanal em manufatureira e, por último, em
atividade fabril, desencadeou uma maciça emigração do campo para a cidade,
assim como engajou mulheres e crianças em jornadas de trabalho de pelo menos
doze horas, sem férias e feriados, ganhando um salário de subsistência. Em
alguns setores da indústria inglesa, mais da metade dos trabalhadores era
constituída por mulheres e crianças, que ganhavam salários inferiores dos
homens.
A desaparição dos pequenos proprietários rurais, dos
artesãos independentes, a imposição de prolongadas horas de trabalho etc,
tiveram um efeito traumático sobre milhões de seres humanos ao modificar
radicalmente suas formas habituais de vida. Estas transformações, que possuíam
um sabor de cataclisma, faziam-se mais visíveis nas cidades industriais, local
para onde convergiam todas estas modificações e explodiam suas conseqüências.
Estas cidades passavam por um vertiginoso crescimento demográfico, sem possuir,
no entanto, uma estrutura de moradias, de serviços sanitários, de saúde, capaz de
acolher a população que se deslocava do campo. Manchester, que constitui um
ponto de referência indicativo desses tempos, por volta do início do século XIX
era habitada por setenta mil habitantes; cinqüenta anos depois, possuía
trezentas mil pessoas. As conseqüências da rápida industrialização e
urbanização levadas a cabo pelo sistema capitalista foram tão visíveis quanto
trágicas: aumento assustador da prostituição, do suicídio, do alcoolismo, do
infanticídio, da criminalidade, da violência, de surtos de epidemia de tifo e
cólera que dizimaram parte da população etc. É evidente que a situação de
miséria também atingia o campo, principalmente os trabalhadores assalariados,
mas o seu epicentro ficava, sem dúvida, nas cidades industriais.
Um dos fatos de maior importância relacionados coma
revolução industrial é sem dúvida o aparecimento do proletariado e o papel
histórico que ele desempenharia na sociedade capitalista. Os efeitos
catastróficos que esta revolução acarretava para a classe trabalhadora
levaram-na a negar suas condições de vida. As manifestações de revolta dos
trabalhadores atravessaram diversas fases, como a destruição das máquinas, atos
de sabotagem e explosão de algumas oficinas, roubos e crimes, evoluindo para a
criação de associações livres, formação de sindicatos, etc. A conseqüência
desta crescente organização foi a de que os “pobres” deixaram de se conformar
com os “ricos”; mas uma classe específica, e classe operária, com consciência
de seus interesses, começava a organizar-se para enfrentar os proprietários dos
instrumentos de trabalho. Nesta trajetória, iam produzindo seus jornais, sua
própria literatura, procedendo a uma crítica da sociedade capitalista e
inclinando-se para o socialismo como alternativa de mudança.
QUAL A
IMPORTÂNCIA DESSES ACONTECIMENTOS PARA A SOCIOLOGIA?
O que merece ser salientado é que a profundidade das
transformações em curso colocava a sociedade num plano de análise, ou seja,
esta passava a se constituir em “problema”, em “objeto” que deveria ser
investigado. Os pensadores ingleses que testemunhavam estas transformações e
com elas se preocupavam não eram, no entanto, homens de ciência ou sociólogos
que viviam desta profissão. Eram antes de tudo homens voltados para a ação, que
desejavam introduzir determinadas modificações na sociedade. Participavam
ativamente dos debates ideológicos em que se envolviam as correntes liberais,
conservadoras e socialistas. Eles não desejavam produzir um mero conhecimento
sobre as novas condições de vida geradas pela revolução industrial, mas
procuravam extrair dele orientações para a ação, tanto para manter, como para
reformar ou modificar radicalmente a sociedade de seu tempo. Tal fato significa
que os precursores da sociologia foram recrutados entre militantes políticos,
entre indivíduos que participavam e se envolviam profundamente com os problemas
de suas sociedades.
Pensadores como Owen (1771-1858), William Thompson
(1775-1833), Jeremy Bentham (1748-1832), só para citar alguns daquele momento
histórico, podiam discordar entre si ao julgarem as novas condições de vida
provocadas pela revolução industrial e as modificações que deveriam ser
realizadas na nascente sociedade industrial, mas todos eles concordavam que ela
produzira fenômenos inteiramente novos que mereciam ser analisados. O que eles
refletiram foi de fundamental importância para a formação e constituição de um
saber sobre a sociedade.
A sociologia constitui em certa medida uma resposta
intelectual às novas situações colocadas pela revolução industrial. Boa parte
de seus temas de análise e de reflexão foi retirada das novas situações, como
por exemplo, a situação da classe trabalhadora, o surgimento da cidade
industrial, as transformações tecnológicas, a organização do trabalho na
fábrica etc. É a formação de uma estrutura social muito específica – a
sociedade capitalista – que impulsiona uma reflexão sobre a sociedade, sobre
suas transformações, suas crises, seus antagonismos de classe. Não é por acaso
que a sociologia, enquanto instrumento de análise, inexistia nas relativamente
estáveis sociedades pré-capitalistas, uma vez que o ritmo e o nível das
mudanças que aí se verificavam não chegavam a colocar a sociedade como “um
problema” a ser investigado.
O surgimento da sociologia, como se pode perceber,
prende-se em parte aos abalos provocados pela revolução industrial, pelas novas
condições de existência por ela criadas. Mas uma outra circunstância
concorreria também para a sua formação. Trata-se das modificações que vinham
ocorrendo nas formas de pensamento. As transformações econômicas, que se
achavam em curso no ocidente europeu desde o século XVI, não poderiam deixar de
provocar modificações na forma de conhecer a natureza e a cultura.
A partir daquele momento, o pensamento paulatinamente
vai renunciando a uma visão sobrenatural para explicar os fatos e
substituindo-a por uma indagação racional. A aplicação da observação e da
experimentação, ou seja, do método científico para a explicação da natureza,
conhecia uma nova fase de grandes progressos. Num espaço de cento e cinqüenta
anos, ou seja, de Copérnico a Newton, a ciência passou por um notável
progresso, mudando até mesmo a localização do planeta Terra no cosmo.
O emprego sistemático da observação e da
experimentação como fonte para a exploração dos fenômenos da natureza estava
possibilitando uma grande acumulação de fatos. O estabelecimento de relações
entre os fatos ia possibilitando aos homens dessa época um conhecimento da
natureza que lhes abria possibilidade de a controlar e dominar.
O pensamento filosófico do século XVII contribuiu para
popularizar os avanços do pensamento científico. Para Francis Bacon
(1561-1626), por exemplo, a teologia deixaria de ter a forma norteadora do
pensamento. A autoridade, que exatamente constituía um dos alicerces da
teologia, deveria, em sua opinião, ceder lugar a uma dúvida metódica, a fim de
possibilitar um conhecimento objetivo da realidade. Para ele, o novo método de
conhecimento, baseado na observação e na experimentação, ampliaria
infinitamente o poder do homem e deveria ser estendido e aplicado ao estudo da
sociedade. Partindo destas idéias, chegou a propor um programa para acumular os
dados disponíveis e com eles realizar experimentos a fim de descobrir e
formular leis gerais sobre a sociedade.
O emprego sistemático da razão, do livre exame da
realidade – traço que caracterizava os pensadores do século XVII, os chamados
racionalistas –, representou um grande avanço para libertar o conhecimento do
controle teológico, da tradição, da “revelação” e, consequentemente, para a
formulação de uma nova atitude intelectual diante dos fenômenos da natureza e
da cultura.
Diga-se de passagem que o progressivo abandono da
autoridade, do dogmatismo e de uma concepção providencialista, enquanto
atitudes intelectuais para analisar a realidade, não constituía um
acontecimento circunscrito apenas ao campo científico ou filosófico. A
literatura do século XVII, por exemplo, constituía uma outra área que ia se
afastando do pensamento oficial, na medida em que se rebelava contra a criação
literária legitimada pelo poder. A obra de vários literatos dessa época
investia contra as instituições oficiais, procurando desmascarar os fundamentos
do poder político, contribuindo assim para a renovação dos costumes e hábitos
mentais dos homens da época.
Se no século XVIII os dados estatísticos voavam,
indicando uma produtividade antes desconhecida, o pensamento social deste
período também realizava seus vôos rumo a novas descobertas. A pressuposição de
que o processo histórico possui uma lógica passível de ser apreendida
constituiu um acontecimento que abria novas pistas para a investigação racional
da sociedade.
Data também dessa época a disposição de tratar a
sociedade a partir do estudo de seus grupos e não dos indivíduos isolados. Essa
orientação estava, por exemplo, nos trabalhos de Ferguson, que acrescentava que
para o estudo da sociedade era necessário evitar conjecturas e especulações. A
obra deste historiador escocês revela a influência de algumas idéias de Bacon,
como a de que é a indução, e não a dedução, que nos revela a natureza do mundo,
e a importância da observação enquanto instrumento para a obtenção do
conhecimento.
No entanto, é entre os pensadores franceses do século
XVIII que encontramos um grupo de filósofos que procurava transformar não
apenas as velhas formas de conhecimento, baseadas na tradição e na autoridade,
mas a própria sociedade. Os iluministas, enquanto ideólogos da burguesia, que
nesta época posicionavam-se de forma revolucionária, atacaram com veemência os
fundamentos da sociedade feudal, os privilégios de sua classe dominantes e as
restrições que esta impunha aos interesses econômicos e políticos burgueses.
É a intensidade do conflito entre as classes
dominantes da sociedade feudal e a burguesia revolucionária que leva os
filósofos, seus representantes intelectuais, a atacarem de forma impiedosa a
sociedade feudal e a sua estrutura de conhecimento, e a negarem abertamente a
sociedade existente.
Para proceder a uma indagação crítica da sociedade da
época, os iluministas partiram dos seus antecessores do século XVII, como Descartes,
Bacon, Hobbes e outros, reelaborando, porém, algumas de suas idéias e
procedimentos. Ao invés de utilizar a dedução, como a maioria dos pensadores do
século XVII, os iluministas insistiam numa explicação da realidade baseada no
modelo das ciências da natureza. Nesse sentido, eram influenciados mais por
Newton, com seu modelo de conhecimento baseado na observação, na experimentação
e na acumulação de dados, do que por Descartes com seu método da investigação
baseado na dedução.
Combinando o uso da razão e da observação, os
iluministas analisaram quase todos os aspectos da sociedade. Os trabalhos de
Montesquieu (1689-1755), por exemplo, estabelecem uma série de observações
sobre a população, o comércio, a religião, a moral, a família etc. O objetivo
dos iluministas, ao estudar as instituições de sua época, era demonstrar que
elas eram irracionais e injustas, que atentavam contra a natureza dos
indivíduos e, nesse sentido, impediam a liberdade do homem. Concebiam o indivíduo
como dotado de razão, possuído uma perfeição inata e destinado à liberdade do
indivíduo e à sua plena realização, elas, segundo eles, deveriam ser
eliminadas. Dessa forma reivindicavam a liberação do indivíduo de todos os
laços sociais tradicionais, tal como as corporações, a autoridade feudal, etc.
A burguesia, ao tomar o poder em 1789, investiu
decididamente contra os fundamentos da sociedade feudal, procurando construir
um Estado que assegurasse sua autonomia em face da Igreja e que protegesse e
incentivasse a empresa capitalista. Para a destruição do “ancien regime”, foram
mobilizadas as massas, especialmente os trabalhadores pobres das cidades.
Alguns meses mais tarde, elas foram “presenteadas” pela nova classe dominante
com a interdição dos seus sindicatos.
A investida da burguesia rumo ao poder, sucedeu-se uma
liquidação sistemática do velho regime. A revolução ainda não completara um ano
de existência, mas fora suficientemente intempestiva para liquidar a velha
estrutura feudal e o Estado monárquico.
O fato é que pensadores franceses da época, como
Saint-Simon, Comte, Lê Play
e alguns outros, concentrarão suas reflexões sobre a natureza e as
conseqüências da revolução. Em seus trabalhos, utilizarão expressões como
“anarquia”, “pertubação”, “crise”, “desordem”, para julgar a nova realidade
provocada pela revolução.
BIBLIOGRAFIA
MARTINS, C. B. O
que é Sociologia. 10ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1985.
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terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Curso de Formação Política O Socialismo do Século XXI (Inscrição)
INTRODUÇÃO
O Curso de Formação Política "O Socialismo do Século XXI" tem por objetivo proporcionar aos cursistas uma aproximação com os princípios que orientam o Socialismo, a teoria marxista e sua leitura e aplicação no contexto da América Latina desse novo século.
Inspirado pela Revolução Bolivariana, pela Teologia da Libertação e pela história de luta da classe trabalhadora, o Socialismo do Século XXI, tática teorizada pelo Comandante da Revolução Militar Venezuelana, Hugo Chávez, sem sectarismo e divisionismo procura construir a UNIDADE dos povos da América Latina em torno dos princípios comunistas, do socialismo e do cristianismo.
Serão 8 encontros aos sábados pela manhã, em Poços de Caldas, no Centro Cultural Afrobrasileiro Chico Rei. Ministradas por Cientistas Sociais, Historiadores e militantes de movimentos sociais chavistas, as oficinas contarão com material de leitura, documentários e dinâmicas que desenvolvam através da mística a consciência de classes, o conhecimento e o empoderamento dos participantes.
INSCRIÇÕES
O Curso de Formação Política "O Socialismo do Século XXI" tem por objetivo proporcionar aos cursistas uma aproximação com os princípios que orientam o Socialismo, a teoria marxista e sua leitura e aplicação no contexto da América Latina desse novo século.
Inspirado pela Revolução Bolivariana, pela Teologia da Libertação e pela história de luta da classe trabalhadora, o Socialismo do Século XXI, tática teorizada pelo Comandante da Revolução Militar Venezuelana, Hugo Chávez, sem sectarismo e divisionismo procura construir a UNIDADE dos povos da América Latina em torno dos princípios comunistas, do socialismo e do cristianismo.
Serão 8 encontros aos sábados pela manhã, em Poços de Caldas, no Centro Cultural Afrobrasileiro Chico Rei. Ministradas por Cientistas Sociais, Historiadores e militantes de movimentos sociais chavistas, as oficinas contarão com material de leitura, documentários e dinâmicas que desenvolvam através da mística a consciência de classes, o conhecimento e o empoderamento dos participantes.
INSCRIÇÕES
As inscrições deverão ser feitas antecipadamente, nesse site, através de um comentário nessa postagem, onde deverá constar o nome completo, idade, ligação a movimento, escola, universidade, sindicato ou outra entidade.
CUSTO
Será cobrado dos inscritos uma contribuição para a manutenção do espaço durante o curso.
Valor:
Trabalhador (a) empregado: R$ 10,00
Estudantes e desempregados: Sem custo
PROGRAMAÇÃO
Módulo I
Será cobrado dos inscritos uma contribuição para a manutenção do espaço durante o curso.
Valor:
Trabalhador (a) empregado: R$ 10,00
Estudantes e desempregados: Sem custo
PROGRAMAÇÃO
Módulo I
1.
Introdução ao
Marxismo
1.1.
Materialismo Dialético e a Luta de Classes
1.2.
Introdução a uma leitua d’O Capital
1.3.
Política e Revolução
Data: 24 e 31 de
janeiro
Módulo
II
2.
O Socialismo
2.1.
A tática da luta de classes
2.2.
História da luta de classes
2.3.
Experiências Socialistas (URSS, China, Cuba, Venezuela)
Data: 7 e 14 de fevereiro
Módulo
III
3.
História da luta de
classes no Brasil
3.1 As lutas no período colonial
3.2 As lutas do Brasil imperial
3.3 O Brasil do século XX na “Era dos Extremos”
3.4 O Brasil no início do século XXI
Data: 21 de
fevereiro
Módulo
IV
4.
O Socialismo do
Século XXI
4.1 O neoliberalismo dos anos 1980-90 na América Latina
4.2 Revoluções na América Latina
4.3 Ditaduras na América Latina
4.2 A luta anti-globalização (Seatle, Fórum Social Mundial...)
4.3 Caracazo, 1989 e o surgimento do Movimento Bolivariano
4.4 Hugo Rafael Chávez Frías
4.5. Marx é a revolução e Cristo a fé de um povo explorado
4.6 Integração Regional e o socialismo do século XXI
Data: 28 de
fevereiro e 7 de março
Módulo
V
5.
A luta de classes
no século XXI e a luta das minorias
5.1 A mulher na sociedade de classes
5.2 A questão racial, indígena e popular
5.3 Direitos Humanos, direito LGBT, Ecologia e Socialismo
Data: 14 de março
BIBLIOGRAFIA
Referência
bibliográfica:
BAÉZ, Luis; ELIZALDE, Rosa Miriam. Chávez
Nuestro. La Habana: Casa Editora Abril, 2007.
BEER, Max. História do Socialismo
e das lutas sociais. São Paulo: Expressão Popular, 2006.
FERNANDES, Florestan. O negro no mundo
dos brancos. 2. ed. São Paulo: Global, 2007.
GALEANO, Eduardo. As veias
abertas da América Latina. 18. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.
HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos.
O breve século XX (1914-1991). 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
KONDER, Leandro. História das
ideias socialistas no Brasil. São Paulo: Expressão Popular, 2003.
LENIN, W. I. As três fontes e as
três partes constitutivas do marxismo. 3. ed. São Paulo: Global, 1980.
MARIÁTEGUI. José Carlos. Revolução
Russa. História, política e literatura. São Paulo: Expressão Popular, 2012.
MARX, Karl. Manuscritos
econômicos, filosóficos e outros textos. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural,
1978.
MARX, Karl; F. Engels. A
ideologia Alemã. São Paulo: Martin Claret, 2004.
NAVARRO, José Cantón; LEÓN, Arnaldo Silva. História de Cuba, 1959-1999. Liberación nacional y socialismo. 3.
ed. La Habana: Pueblo y Educación: 2011.
SAFFIOTI, Heleieth. A mulher na
sociedade de classes. 3. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2013.
DOCUMENTÁRIOS
- A revolução não será televisionada ( https://www.youtube.com/watch?v=MTui69j4XvQ)
- Cuba, fatos e não palavras ( https://www.youtube.com/watch?v=eiWXhanvyY0)
- Bolívar ( https://www.youtube.com/watch?v=y-mTsXMpsHY)
- Brazil, uma verdade inconveniente ( https://www.youtube.com/watch?v=t821sT4AoUY)
- Guerra contra a Democracia ( https://www.youtube.com/watch?v=dmYo8xrHI9M)
- Por uma outra globalização (https://www.youtube.com/watch?v=-UUB5DW_mnM)
Professores: Diney Lenon, Tiago
Mafra, Mateus Zani, Greice Keli e Hudson Vilas Boas
Cronograma:
10 de
janeiro: Introdução ao Marxismo
17 de janeiro: Introdução ao Marxismo
24 de
janeiro: O Socialism
31 de janeiro: O Socialismo
7 de fevereiro: História da
luta de classes no Brasil
14 de fevereiro: O Socialismo
do Século XXI
21 de fevereiro: O Socialismo
do Século XXI
28 de fevereiro: A luta de
classes no século XXI e a luta das minorias
* 8 sábados, das 08hs às 12hs, totalizando 32h/aula.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Mídia e Fascismo "despercebido"
Isso é "liberdade de imprensa"?
Uma brincadeira de facebook me inspirou a escrever sobre um tema tão complexo a partir de um vídeo considerado “uma boa arma” para a classe média papagaia “anti-PT”.
Meu amigo Igor Borges postou esse vídeo no meu perfil de facebook, o que me fez sentir desafiado.
Pois bem, Igor Borges, confesso que vi sua postagem diretamente colocada no meu mural com a
pergunta: “Onde estão os defensores desse governo" pelo celular. Meu
aparelho não visualiza vídeos. Vi também que outro amigo a quem considero e respeito
muito, o Guilherme Dore perguntava: “E agora, José?”. Me senti "desafiado"... rsrs...
Não que eu seja um defensor apaixonado do governo, muito pelo contrário, quem me conhece sabe que não milito por governo, mas pela minha classe.
Como não pude ver pelo celular fiquei curioso e quando cheguei em casa fui ver o vídeo “desafiador”, que seria aquilo que poderia me deixar sem argumentos?
Não que eu seja um defensor apaixonado do governo, muito pelo contrário, quem me conhece sabe que não milito por governo, mas pela minha classe.
Como não pude ver pelo celular fiquei curioso e quando cheguei em casa fui ver o vídeo “desafiador”, que seria aquilo que poderia me deixar sem argumentos?
Quando abri o vídeo, logo identifiquei um jornalista dos mais
fascistas e extremamente vinculado aos valores da extrema direita. Trata-va se um jornalista que faz a
“classe média conservadora e alienada gozar”, mas não me lembrei o nome do figura.
Já começam na bancada jornalística, formadora de opinião o “jornalismo imparcial” com uma aberração
histórica, mentirosa e ABSURDA: “o Paraguay não goza de mais liberdade do que o
Brasil”, esbravejava o "comentarista". Para justificar essa grosseira “opinião” repete, o incapaz, o “jargão” talvez
mais saboroso para o banquete de hipocrisia da classe média: “o brasileiro não
faz nada”, com ar de desdém e superioridade típica dos detentores do pensamento
colonizado.
Esse jornalista não tem embasamento histórico algum para
começar suas inverdades ideologicamente comprometidas. Sua linha política é
clara, situa-se entre os “intelectuais” que compõem “análises” com os olhos e
mãos alinhados à política acéfala “anti-PT” que ocupa os meios de comunicação
privados.
Nossos meios de comunicação, majoritariamente empenhados em deteriorar a imagem desse governo progressista, de centro-esquerda, associados e ligados umbilicalmente a interesses esconômicos e estrangeiros muito maiores cumprem seu papel: alienar.
Está em curso um processo político, um embate histórico dos mais significativos da história recente não só do nosso país, mas mundial. Está em jogo mais do que o “debate anti-governo ancorado num discurso “moralista”, contra a “corrupção”. O Brasil é a bola da vez nesse tabuleiro mundial e as grandes corporações não medirão esforços para retomarem seu projeto neoliberal (privatizações, desconstrução do Estado e entrega da riqueza nacional ao capital internacional, precarização do trabalho...).
Nossos meios de comunicação, majoritariamente empenhados em deteriorar a imagem desse governo progressista, de centro-esquerda, associados e ligados umbilicalmente a interesses esconômicos e estrangeiros muito maiores cumprem seu papel: alienar.
Está em curso um processo político, um embate histórico dos mais significativos da história recente não só do nosso país, mas mundial. Está em jogo mais do que o “debate anti-governo ancorado num discurso “moralista”, contra a “corrupção”. O Brasil é a bola da vez nesse tabuleiro mundial e as grandes corporações não medirão esforços para retomarem seu projeto neoliberal (privatizações, desconstrução do Estado e entrega da riqueza nacional ao capital internacional, precarização do trabalho...).
Não sejamos manipulados: e os escândalos dos adversários
desse governo, porque não são tão apurados e escancarados e repetidos milhares
de vezes? Entendido isso, considerando que a corrupção não é mãe do sistema,
mas filha do sistema, devemos lutar contra a corrupção em todas as esferas, no
campo político da direita, da esquerda e dos que se acham indiferentes ou acima
das ideologias.
Não é uma disputa entre os éticos contra os corruptos que
estão no poder, mas uma disputa de projetos políticos, uns mais populares,
comprometidos com as causas sociais e mais independente externamente e um
projeto de “realinhamento” com o “norte” e medidas de “austeridade” em nome do
projeto neoliberal.
Mas vamos ao que interessa: o que diz aquele que "desmascara" e que alguns classificam como "o crítico", o que "diz o que precisa ser dito", o que se faz "pedra no sapato" de um governo a ponto de ser perseguido?
Mas vamos ao que interessa: o que diz aquele que "desmascara" e que alguns classificam como "o crítico", o que "diz o que precisa ser dito", o que se faz "pedra no sapato" de um governo a ponto de ser perseguido?
Os "argumentos" do "jornalista"
Primeiramente, esse energúmeno desconhece que o Presidente
paraguaio está no poder por causa de um GOLPE DE ESTADO, dos mais fresquinhos
arquitetados pela cartilha estadunidense e todo seu apoio logístico. O
Presidente do Paraguay, Fernando Lugo, eleito com apoio popular foi deposto por
um GOLPE DE ESTADO em junho de 2012. A reforma agrária que começava a avançar
no país de maior concentração de terras do mundo (latifúndios ocupam quase
metade do país), com amplo apoio popular foi interrompida por uma ação dos
setores conservadores, apoiados pelos meios de comunicação nacional e
internacional que insistem em silenciar sobre o golpe de estado acontecido
“ontem”.
A primeira colocação do jornalista pode ser analisada de
duas formas: pela ignorância ou pelo olhar crítico. É possível que passemos a
repetir as informações vazias, superficiais e ideologicamente comprometidas com
o discurso rancoroso da direita. Esse segmento que detém os meios de propagação
(ou repetição) da “opinião pública” é o segmento que não aceita estar há 11
anos fora do poder, justamente no memento de maior seqüência de anos de
DEMOCRACIA.
O governo Lula e Dilma implantaram muitos e dinamizaram
muitos CONSELHOS, estimulado a política de Conselhos Municipais, Estaduais e
Nacionais. Participei de algumas delas, como a Conferência Nacional dos
Direitos da Criança e do Adolescente, em 2007. Nessa conferência avançamos
muito nas políticas de proteção e promoção dos direitos. É possível que seja
desconhecimento, mas não desse jornalista. O jornalista demonstra claramente
através de seu “embasamento”, ou “justificativa” que não conhece nada de nada
sobre democracia ao comparar a democracia recente paraguaia e brasileira.
Ameaças e milícias virtuais? Se são milícias eu com certeza sou um “miliciano”, ou não? Perseguições? Meu Deus! Há um plano de perseguições orquestrado e o condutor dessa malevolência é, sem sombra de dúvidas, o governo federal, mais especificamente, o PT. Se há, podemos então comparar esse governo a ditaduras totalitárias, que possuem essa característica, de perseguição política aos opositores e censura.
Ameaças e milícias virtuais? Se são milícias eu com certeza sou um “miliciano”, ou não? Perseguições? Meu Deus! Há um plano de perseguições orquestrado e o condutor dessa malevolência é, sem sombra de dúvidas, o governo federal, mais especificamente, o PT. Se há, podemos então comparar esse governo a ditaduras totalitárias, que possuem essa característica, de perseguição política aos opositores e censura.
Polícia Federal sendo utilizada politicamente, ah, ta, em
que caso ULTRA EXPLORADO PELA MESMA MÍDIA QUE ATACA DIARIAMENTE ESSE GOVERNO:
Mensalão? Quem sustentou todo o processo e investigação do mensalão por um
acaso foi a PM de MG, sob mando de Aécio Neves?
Marco Civil da inernet. Eu li o projeto, inteirinho e
desafio alguém a me provar que o foco central do projeto não é cobrar dos
provedores obrigações, sigilos e que representa uma RESPOSTA SOBERANA E DIGNA
do nosso PAIS (pais esse que a classe média ama desprezar) a um dos maiores
escândalos e ações do imperialismo ianque, a ESPIONAGEM denunciada por Edward
Snoden.
O Marco Civil foi amplamente comemorado por movimentos
sociais respeitados e atuantes. Pode haver discordância em alguns pontos, como
também tenho, mas não se mede uma ação política pela sua superfície, é
necessário aprofundar.
Quanto aos “argumentos” que o jornalista vomita: “acham que
pra ser ditadura precisa ter tanque na rua, mas não, é só olhar os projetos que
o PT tem aprovado: direitos humanos e essas coisas”. Alguém em sã consciência e
com mínimo conhecimento histórico irá dar crédito a um argumento que
desqualifica um governo ao classificá-lo como ditadura por estar este se
empenhando na legislação de direitos humanos?
Já sei, ia me esquecendo, a classe média assinante da Veja que desconhece nomes como Milton Santos, Florestan Fernandes, geralmente inerte na história tem outro prazer que a leva ao gozo: amaldiçoar essa história de Direitos Humanos. Do mais profundo de sua leitura “imparcial e argumentativa” despejam repetindo como papagaios que “verdade” de que os direitos humanos defendem bandidos, sem entenderem essa política e filosofia de um projeto de civilização diferente, que jamais se encerraria num aspecto da humanidade.
Critica o governo porque o governo está trabalhando na legislação de direitos humanos. Só lhe faltou tempo para entrar noutros assuntos em que a classe média e elite quase se copulam ao especularem sobre a sexualidade das pessoas, a origem, posição social, etnia, o machismo, dentre tantos outros “desmandos da política ditatorial do PT nos últimos anos”. Vai dizer como o Jair Bolsonaro, ex-Capitão da Rota: “A rota mata primeiro pra depois ver quem é”?. Estão no mesmo balaio de valores de intolerância. Quem critica os direitos humanos não sabe o que significou e significa a sua construção.
O jornalista é contra o PLANO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS? Jura que alguém vai até o meu mural colocar um jornalista criticando o PNDH????????????????
Muito, mas muito baixo! Sinceramente, como professor avalio a opinião do estudante, mas procuro contribuir para que ele aprenda a construir e sustentar sua opinião. Dessa forma, se me permitem falar como profissional (esperando ser respeitado como qualquer outro), esse jornalista não iria obter aprovação numa avaliação de dissertação. Ele não argumenta, empobrece sua defesa com seu “anti-petismo” explícito e não conhece os fatos históricos. Pra piorar o cara usa como principal “argumento” a política de direitos humanos.
OBS: Gosto de expor o pensamento e respeito opiniões divergentes e linguagens ponteagudas dentro do estilo respeitoso.
Já sei, ia me esquecendo, a classe média assinante da Veja que desconhece nomes como Milton Santos, Florestan Fernandes, geralmente inerte na história tem outro prazer que a leva ao gozo: amaldiçoar essa história de Direitos Humanos. Do mais profundo de sua leitura “imparcial e argumentativa” despejam repetindo como papagaios que “verdade” de que os direitos humanos defendem bandidos, sem entenderem essa política e filosofia de um projeto de civilização diferente, que jamais se encerraria num aspecto da humanidade.
Critica o governo porque o governo está trabalhando na legislação de direitos humanos. Só lhe faltou tempo para entrar noutros assuntos em que a classe média e elite quase se copulam ao especularem sobre a sexualidade das pessoas, a origem, posição social, etnia, o machismo, dentre tantos outros “desmandos da política ditatorial do PT nos últimos anos”. Vai dizer como o Jair Bolsonaro, ex-Capitão da Rota: “A rota mata primeiro pra depois ver quem é”?. Estão no mesmo balaio de valores de intolerância. Quem critica os direitos humanos não sabe o que significou e significa a sua construção.
O jornalista é contra o PLANO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS? Jura que alguém vai até o meu mural colocar um jornalista criticando o PNDH????????????????
Muito, mas muito baixo! Sinceramente, como professor avalio a opinião do estudante, mas procuro contribuir para que ele aprenda a construir e sustentar sua opinião. Dessa forma, se me permitem falar como profissional (esperando ser respeitado como qualquer outro), esse jornalista não iria obter aprovação numa avaliação de dissertação. Ele não argumenta, empobrece sua defesa com seu “anti-petismo” explícito e não conhece os fatos históricos. Pra piorar o cara usa como principal “argumento” a política de direitos humanos.
OBS: Gosto de expor o pensamento e respeito opiniões divergentes e linguagens ponteagudas dentro do estilo respeitoso.
OBS de cientista político "chato" que sou:
desafio a expor outra leitura. Se ainda assim continua acreditando nos
"argumentos" do jornalista, cuidado, pode ser doença... rsrs
terça-feira, 4 de março de 2014
Chávez, o Libertador!
“Los que mueren por La vida no pueden
llamarse muertos” – Alí Primera
Há
exatamente um ano juntamente com companheiros da Central dos Trabalhadores e
Trabalhadoras do Brasil – CTB, por volta das 18h, estava eu num ônibus, rumo a
Brasília para participar da Marcha Nacional das Centrais Sindicais, engajado na
luta por direitos para a classe trabalhadora, quando recebi a trágica notícia: Chávez
havia falecido.
A
notícia, de certa forma esperada, transformou aquela viagem de 14 horas, num
momento de profunda tristeza, dúvidas, lágrimas contidas, uma angústia sem
medida. O câncer consumiu o valente Comandante, que lutou até o último segundo
de vida. Saia da vida para consagras-se, eternizar-se pela história. Como diz o
jornalista Arthur Amorin, “Y ahora Fidel?”, no título de seu livro, me vinha à
cabeça: E agora América Latina, e agora Venezuela? Mesmo sabendo que uma revolução
não se faz somente com líderes, mas, sobretudo com o povo e sabendo a enorme
consciência que adquiriu a classe trabalhadora venezuelana, em minha mente
martelava: Serão fortes para enfrentar a ganância imperialista? Haverá liderança
na Venezuela que fique à altura do processo revolucionário implementado por
Chávez? Quanto à segunda pergunta, a resposta era e ainda é: Não!
O
dia 6 de março de 2013 foi um dia de milhares de bandeiras vermelhas na
Esplanada dos Ministérios, um dia de luta da classe trabalhadora. Homenagem
mais bonita não seria possível: 40 mil trabalhadores em coro: Comandante
Chávez, presente!
Mas
não havia mobilização, luta e gritos de ordem que estancassem a dor que jorrava
do coração. Falecia naquele dia o maior líder de toda a América Latina e um dos
maiores líderes revolucionários da história! Para mim, que cresci “politicamente”
junto com a Revolução Bolivariana, era como perder o chão, navegar a deriva,
sem rumo, indeciso. Era o dia 5 de marços de 2013 um dia que marcaria minha
vida: O dia que colocaria toda uma revolução à prova. Sem a presença física de
seu líder, restava ao povo bolivariano, seguir a revolução diante dos
gigantescos ataques que viriam.
Lembro
perfeitamente da minha infância quando ouvia algo sobre a Venezuela: misses,
mulheres bonitas encantando o mundo! Lembro-me também que Venezuela para mim,
além de um país de “chicas hermosas” tinha outro significado: a seleção de
futebol acostumada a levar goleadas. Era raro um jogo onde a Venezuela não
levava três, quatro, até oitos gols numa partida, ainda mais quando o
adversário se tratava de Brasil ou Argentina. Essa era a imagem que tinha da
Venezuela quando criança, nada mais, o que é compreensível para uma criança dos
anos 1980 no Brasil.
Na
adolescência, já mais interessado nesse mundo, nas pessoas e iniciando uma vida
de sonhos para além das fantasias de infância, me interessei por poesia
(Ferreira Gullar, Pablo Neruda, Carlos Drummond), por música punk, de protesto.
Era eu, um “headbanger punk”, que
adorava a banda Garotos Podres e odiava a escola com seu formato autoritário.
Não é por menos que a lendária “Dona Elvira”, diretora do David Campista,
escola onde estudei até a sétima série, me convidou a “retirar-me” daquela
instituição quando me rebelei contra a proibição do uso de boné. Não sabe ela
que bem me fez, por mais paradoxo que pareça ser essa conclusão, vinda de um
professor. Ao ser rejeitado pela escola, fiquei aproximadamente 4 anos longe
dessa instituição, vivendo experiências que marcariam minha vida.
Entrando
na vida adulta, lá pelos meus 18, 19 anos, já me interessava por política,
livros e tinha a orientação de um amigo professor que me apresentou as idéias
libertárias e me ensinou a sonhar para além do próprio umbigo. Nessa época,
ainda vivendo a “Vida Loka”, conheci pessoas de outros países, do Peru,
Bolívia, Colômbia, que eram artesãos que viajavam pela América. Encantei-me
muito com esse espírito aventureiro. Não sabia eu, que daqueles contatos e
experiências, nascia um grande amor, um amor por nossa América, nossa gente.
Vivendo
experiências em viagens com mochilas nas costas, sem dinheiro (“caminhando
contra o vento, sem lenço e sem documento”), leituras e contatos, percebi que
era necessário me engajar em alguma coisa que fizesse sentido e diferença não
só para mim, mas para o mundo. Sem condições financeiras, nem herança, nem
família rica, após concluir o Ensino Médio em 3 meses através do CESEC, tentei
um vestibular para o curso de Ciências Sociais, com uma única esperança: ser
aprovado em primeiro lugar, já que a faculdade contemplava o primeiro colocado
com bolsa integral de estudos. Naquela época, anos 1990, não havia ENEM,
PROUNI, nada. Eis que o resultado não poderia ser melhor: primeiro colocado,
com a melhor nota de redação (me lembro do tema: o atentado terrorista do World
Trade Center). Me lembro também que a frase final da redação era: “A dor do
povo estadunidense é legítima e tão grande quanto a dor dos povos provocadas
por seu governo”.
Inicia-ve
o novo século, o novo milênio e eu também passava por profundas mudanças. Ao
iniciar os estudos acadêmicos passei a estudar Ciência Política e ouvia
constantemente notícias da Venezuela, mas não de suas “hermosas muchachas”, nem
de seu futebol insípido, mas de um tal Presidente Hugo Chávez, um homem
aparentemente nacionalista, que , dentre outras frases polêmicas se destacava: “Ianques de mierda, que se vayan al carajo!”.
Isso, devido ao meu espírito libertário, anárquico, me encantava como poesia.
Passei a pesquisar sobre esse “mal educado” Presidente que peitava a maior potência
militar e econômica da história.
A
Venezuela sempre foi um país rico, mas marcado por uma gigantesca desigualdade
social. Esse país possui o “outro negro” tão cobiçado por potências
imperialistas, possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Os EUA
eram grandes aliados do país sul-americano. O barril de petróleo era vendido a
U$ 14 para o Tio Sam e Hugo Chávez havia alterado a relação com os EUA e hoje
mesmo sendo o maior comprador de petróleo venezuelano, os ianques têm de pagar
aproximadamente U$ 100 pelo barril, enquanto o venezuelano, hoje, paga U$ 0,7
pelo litro da gasolina. Isso desde os primeiros estudos me intrigou muito: Um
Presidente que aumenta o preço do petróleo para “El diablo” (nas palavras de
Chávez, durante discurso na Assembleia da ONU) e reduziu o preço dos seus
derivados para seu povo. Não era um nacionalista qualquer. A curiosidade me fez
escravo e ali estava um universitário interessado em América Latina não mais
por questões culturais e pela beleza da língua criolla, mas por política,
geopolítica e imperialismo.
O
interesse pelo estudo da realidade venezuelana tinha como pano de fundo uma
questão ideológica: era eu, com meus 16, 17 anos um anarquista inconseqüente,
que ao estudar a ciência política percebeu que o sonho de igualdade proposto
pelos libertários só é possível com uma disciplina e caminho socialista. Sabia
eu que Chávez era um nacionalista, grande admirador de Fidel Castro, defensor da
Grande Pátria de Bolívar. Esperava eu que Chávez de declarasse socialista tão
logo.
O
petróleo na Venezuela sempre foi fornecido quase “de graça” aos EUA. Em 1989,
obedecendo a ordens do Fundo Monetário Internacional – FMI, o governo
venezuelano privatizou serviços, aumentou impostos e a população pobre saiu às
ruas para protestar. Era 27 de fevereiro. Em dois dias o exército, sob o mando
de Carlos Andrés Perez, matou mais de mil pessoas. Esse fato ficou conhecido
como “El caracazo”. Não sabia a elite mancomunada com as multinacionais que esse
massacre marcaria profundamente muitos militares venezuelanos, que perceberam que
estavam a usar armas contra seu próprio povo, a favor do interesse
internacional e não da população. Entre os militares descontentes estava
Chávez, que liderava um movimento chamado como “Movimento Bolivariano”,
inspirado nos ideais do libertador Simon Bolívar, o patriota Venezuelano que
expulsou os espanhóis no século XIX e propunha a união dos países da América
Latina numa “Grand Pátria”.
Com
o passar dos anos, estudando, mas, sobretudo, acompanhando diariamente os
fatos, lendo jornais e revistas alternativos aos da grande imprensa privada
(burguesa), vi os anos 2000 marcarem a história da América Latina com a mudança
de paradigma. De uma região dócil e submissa aos interesses imperialistas dos
EUA, a América do Sul ia se tornando uma região hostil às políticas ditadas
pelo FMI, por Washington. Vivi a esperança da verdadeira independência latino-americana
e a cada dia ficava mais claro como a imprensa capitalista atacava qualquer ação
de Chávez que para favorecer o povo desfavorecesse a elite e o interesse do
capital.
Chávez
foi o grande líder desse processo de ruptura, de libertação e integração dos
países hermanos de América iniciado por Simón Bolívar, no século XIX. Chávez, militar
de origem simples, o menino que vendia laranjas para ajudar a avó em Sabatena,
cidade extremamente pobre da Venezuela, chegou ao poder ao se tornar conhecido
por tentar derrubar o governo de Carlos Andrés Perez em 1992, num levante
cívico-militar. O levante falhou, mas projetou a liderança de Chávez para todo
o país. Ficou dois anos preso e ao sair, se candidatou a Presidente em 1998,
vencendo uma adversária, ex-miss universo, era o duelo da “bela contra a fera”.
Com
discurso popular, franco e pedagógico, prometeu incorporar o povo na política e
transformar a Venezuela numa democracia participativa, direta e não mais uma
democracia representativa, de “representantes” distantes do povo. Prometeu e
assim o fez. Me lembro do dia que vi num jornal, lá pelos anos 2000, 2001, o
Presidente da Venezuela sendo chamado de “populista” (que no senso comum
político é quase um oportunista, enganador) por ter ido pessoalmente a uma
favela em Caracas onde as chuvas causaram enorme prejuízo e mortes. Chávez era
atacado pela imprensa por estar com os pés no barro, ajudando a retirar a
sujeira de uma casa. Além dessa imagem, me marcou o fato do presidente,
constantemente apedrejado pela imprensa, ter ordenado que a população daquela
favela deixasse o local e se mudasse para um prédio de propriedade de
empresários italianos, onde seria inaugurado um hotel cinco estrelas. O próprio
exército se incumbiu de ajudar as famílias. Parte das famílias que não couberam
no “hotel gringo”, foi levada para o Palácio Presidencial e outros prédios do
governo com a promessa de saírem de lá somente quando suas casas estivessem
prontas. Houve quem não aprovou essa medida, é claro, os empresários italianos.
Chávez tinha lado e quando se tem lado, inimigos aparecem. Minha avó, que nada
entedia de política me dava conselhos na minha infância que me vinham à mente
quando via os exemplos de Chávez: “Na vida, ou se é santa ou se é puta”. Chávez
não era mentiroso, nem “acendia uma vela para Deus e outra para o capeta”,
Chávez estava do lado dos pobres. Os inimigos que Chávez estava conquistando
eram poderosos e os aliados eram como ele, mestiços, de origem humilde.
Nas
aulas de Ciência Política, me recordo, aprendi sobre nacionalismo, direita,
esquerda, populismo, elitismo e outras tantas teorias e formas políticas. Me
interessou muito o nacionalismo de Perón, na Argentina, de Vargas, no Brasil e
Cárdenas, no México. Esses presidentes que fizeram história, foram corajosos ao
nacionalizar empresas estrangeiras em seus territórios. Eles pensaram no futuro
dos seus países. Nenhum deles era socialista, mas defendiam que a riqueza nacional
deveria servir à nação e não ao capital estrangeiro.
Chávez
nacionalizou o petróleo venezuelano e mudou a política externa. Priorizou a
relação com os países da América Latina. Cristão fervoroso, defendia que o “pão
deveria ser dividido” não só com os pobres do seu país, mas com os “hermanos”
de outros países e passou a vender petróleo abaixo do preço de mercado para
países pobres, inclusive para pessoas pobres dos EUA. A elite Venezuela,
acostumada com a frieza da relação comercial capitalista, esbravejava pelos
quatro cantos. Não aceitava a burguesia
venezuelana, que seus privilégios estavam se pulverizando em esperança para
outros povos e o governo dos EUA temiam que Chávez se tornasse exemplo,
afetando a lógica individualista e egoísta do seu sistema da “liberdade”.
Com
esse discurso e prática de Chávez, as aulas de Marxismo na faculdade me pareciam
mais reais, pois Lenin, na Rússia de 1917 já alertava que o socialismo só é
possível com o internacionalismo, com a união dos trabalhadores. Marx disse
isso em 1848, em seu célebre manifesto: “proletários de todo o mundo uni-vos”.
Chávez demonstrava seu internacionalismo com sua característica única, baseado
em princípios cristãos. Eu que não me considerava cristão, inclusive porque não
frequentava meu catecismo com a Dona Palmira na Igreja de São Domingos nos anos
1980, preferindo jogar Super Mário Bross na casa de um coleguinha, me via
seduzido pela releitura do Cristianismo feita por Chávez. Logo eu viria a
entender que Chávez se aproximava da Teologia da Libertação.
O
polêmico Presidente, tão atacado pela imprensa brasileira e capa da Revista
Veja algumas vezes, retratado pelo panfleto semanal da direita como ditador buscou
laços com China, Rússia, Índia, Brasil para diminuir sua dependência dos EUA
nas relações comerciais. Suas atitudes e seu discurso aberto e objetivo
conquistaram milhões de venezuelanos e gente do mundo todo. Com o fim da URSS
nos anos 1990, a esperança de um novo socialismo surgiu nas palavras de Chávez,
um “socialismo do século XXI, uma mistura de Marx e Cristo”.
Vi
os anos 2000 colocarem a América Latina como o centro político do mundo. Vi os
EUA enviarem 160 mil soldados para o Afeganistão, com a desculpa de capturar
Bin Laden (um ex-aliado dos EUA contra a URSS nos anos 1980). Vi O Iraque sendo
invadido porque os EUA apresentaram “provas” na ONU de que Sadam Hussein possuía
armas de destruição em massa e passei anos esperando e ainda espero as provas.
Vi o imperialismo ianque de empenhando no controle do petróleo pelo mundo e
nossa região que eles consideravam “seu quintal” elegendo governos mais
independentes, mais nacionalistas e menos subservientes aos ditames de George
Bush, o maior assassino que vi nos últimos anos.
Como
reflexo das políticas neoliberais, de privatizações, flexibilização de direitos
e venda do patrimônio nacional, outros países na América do Sul passaram a
eleger presidentes mais “à esquerda”, como é o caso de Evo Morales (o
sindicalista da Bolívia), o primeiro presidente índio de um país de maioria
indígena (curiosidade: o presidente que antecedeu Morales, mal falava a língua
do seu povo e se mudou para Miami quando Morales nacionalizou o gás boliviano),
Rafael Correa (Equador), Nestor Kirschner (Argentina), Lula (Brasil), Tabaré
Vasquez (Uruguai), Daniel Ortega (Nicarágua). Fui testemunha e mais do que
isso, fui, com todo orgulho, “agente” desse processo, lutei muito para a
eleição de Lula no Brasil e participei juntamente com vários companheiros da
campanha que sepultou o projeto da ALCA – Área de Livre Comércio das Américas.
Ainda me lembro de Chávez, ao lado de Maradona e Evo Morales, no estádio do River
Plate, em Mar Del Plata, Argentina, cantando junto com 30 mil pessoas: Alca,
Alca... al carajo! Foi lindo! O projeto de Bush para engolir nosso continente
foi sepultado com a aliança de Brasil, Argentinal, Venezuela e Bolívia.
A
América Latina dos anos 2000 é reflexo do “estupro” ao qual fomos submetidos
nos anos 1990, praticado por governos sem compromisso algum com seu povo, mas
sim com as multinacionais. Na Bolívia, antes de Morales, tiveram a audácia de
privatizarem até a água potável, tudo em nome de uma multinacional chamada
Bechtel Corporate, que Morales, quando eleito, expulsou do país. Lembro-me de centenas de manifestantes diante
da Bolsa de Valores de São Paulo levando paulada da polícia quando tentavam
barrar a privatização da Vale do Rio Doce. Não conseguiram, vendida por 3,4
bilhões de dólares, a Vale lucrou em apenas um ano, 12 bilhões e hoje sua
exploração de minério não pertence aos brasileiros. Imagino Getúlio Vargas como
deve se contorcer na cova. Chávez além de ser fruto desse processo, foi um
líder, um inspirador, um pedagogo revolucionário, que ensinou o povo pobre, os
moradores dos barrios (favelas) a
participarem da política e levantou novamente a bandeira do socialismo quando o
capitalismo cantava sua vitória, com o “fim da história”. Vivi isso, sou
testemunha viva disso!
O
grande apoio popular de Chávez entre a imensa maioria da população venezuelana
se dá através de suas políticas públicas, das “missões”, como “La misión
Robison”, que alfabetizou milhões de venezuelanos e consagrou a Venezuela ao
posto que poucos países do mundo conseguiram: país sem analfabetos! Cresci
ouvindo que somente Cuba havia eliminado o analfabetismo em todo o continente
americano. Inspirados em seu libertador nacional, José Martí, os cubanos
reafirmam: somente um povo culto pode ser livre!
A
“misión barrio adentro”, com parceria de Cuba, levou 40 mil médicos para as favelas,
cidades distantes, montanhas e zonas rurais e indígenas, diminuindo
consideravelmente os alarmantes índices sociais venezuelanos que as políticas
neoliberais deixaram como herança para o chavismo. A operação “milagro” que
levou a Cuba 15 mil venezuelanos para fazerem cirurgias oftalmológicas é
exemplo da mudança que o governo liderado por Chávez implentou. A mission
sonrisa, levou atendimento odontológico a mais de 300 mil pessoas nos bairros
pobres da Venezuela, o que fez com que o povo pobre, maioria da população,
enxergasse no governo um governo do povo e para o povo.
Hoje
são mais de 700 mil casas entregues a famílias pobres, além da criação de
universidades por todas as cidades venezuelanas. As casas entregues à população
contam com lavanderia coletiva, horta comunitária, creche e posto de saúde. A
população é responsável por gerenciar os conjuntos habitacionais e as decisões
devem ser tomadas em assembléias. Chávez dizia: é preciso radicalizar a
democracia, de baixo para cima! O povo deve ler a Constituição, saber das leis,
dos seus direitos para defendê-los!
Essas
mudanças não se deram em meio a um mar de rosas. Para efetuar as mudanças,
Chávez teve que retirar privilégios de uns 10% da população, parcela essa que
desde então não tem feito outra coisa a não ser conspirar contra o governo para
retomarem o que consideram ser “seu”. Um exemplo disso é o 11 de abril de 2002.
Apoiados
por parte do exército e pela mídia privada, tentaram um golpe de estado em 2002
e retiraram Chávez do poder por menos de 2 dias. Os golpistas indicaram o dono
de um canal de televisão, Carlos Carmona para assumir a presidência, fecharam o
congresso, destituíram juízes, cassaram mandatos, decretaram o estado de sítio,
fecharam o ministério público e outras instituições. Não sabiam os golpistas a
força e determinação do povo venezuelano. Milhões de pessoas saíram às ruas
exigindo a volta do Presidente e os militares leais a Chávez e à Constituição
daquele país retomaram o poder e Chávez voltou mais fortalecido do que nunca.
Hoje é sabido e notório que o golpe foi financiado e planejado por Washington.
Chávez
liderou 17 eleições, venceu 16. Mudou a Constituição Federal e a colocou para
aprovação em referendo, venceu. Criou o PSUV – Partido Socialista Unido de
Venezuela, que conta com 2 milhões de filiados. Chávez ainda foi audacioso,
criou um artigo na Constituição Federal daquele país que possibilita a sua
saída do poder antes do término do seu mandato. Para isso, basta que os
interessados consigam um certo número de assinaturas para a realização de um
plebiscito. A oposição conseguiu as assinaturas e o plebiscito aconteceu. A
vitória foi do movimento “Chávez no se vá”. Até Jimmy Carter, ex-Presidente dos
EUA afirmou que a Venezuela vive uma democracia intensa.
Vi
e vivi os anos 2000 com grandes esperanças na mudança do continente. Vi a
criação da ALBA – Aliança Bolivariana para as Américas, em contraposição à
ALCA, dos EUA. Vi a criação do Banco do Sul, que visa financiar o crescimento
dos países do continente, trata-se de um banco supranacional, baseado na
solidariedade e não no puro enriquecimento. Vi e vivi a criação da Telesur (www.telesurtv.net),
canal de televisão que visa integrar os países e promover a informação
alternativa aos meios privados. Vi e vivi a criação da UNASUL – União das
Nações Sul-Americanas, que pretende fazer frente a organismos onde os EUA dominam,
como OEA. Vi e vivi a criação da CELAC – Comunidade dos Estados Latino
Americanos e do Caribe, como proposta de integração dos países da América, sem,
é claro, os EUA. Isso demonstra a política externa e a grande liderança de
Chávez no mundo, como esperança contra o neoliberalismo.
Em
junho de 2011, Chávez anuncia que está com câncer, maligno, na região pélvica e
passa a se tratar com sessões de quimioterapia e radioterapia. Grande homem, de
garra, luta até o último dia. Dizia o Comandante que “amor com amor se paga”.
Conhecido por suas intervenções na televisão onde cantava, declamava poesias,
dançava, Chávez se torna um grande líder que inspirou milhões pelo mundo.
Quando
partiu dessa vida, deixou seu exemplo para calar os agorentos e descrentes na
humanidade. Há sim pessoas que pensam e agem pelo “amor ao próximo”, há sim
pessoas que não se vendem. Há grandes exemplos que podemos seguir. Como seu
sucessor, indicou Nicolás Maduro, que um mês após a morte do Comandante
Supremo, venceu as eleições, em 14 de abril do ano passado.
Confesso
que quando Chávez morreu, chorei por alguns dias. Toda essa trajetória desse
mito e minha trajetória pessoal me vieram à mente. Temi pelo fim da revolução,
não nego, pois conhecendo a história, sei que o Imperialismo Ianque não mediria
esforços para acabar com a Revolução que inspirou e inspira o mundo. Minha
maior alegria é saber que a obra de Chávez foi tão profunda que hoje na
Venezuela, há um povo e um exército que se fundem num corpo único e ninguém nem
nada derrotará a Revolução. Chávez foi invencível e como dizem os próprios venezuelanos:
Chávez somos millones!
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